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terça-feira, 11 de setembro de 2012

Contas feitas...Ganda Gamanço!!!

… E o 1º ministro anunciou mais uma quantidade de medidas de austeridade, entre as quais está um autêntico gamanço aos salários de todos os trabalhadores (público e privado), e estas medidas não vão ficar de certo por aqui. Com este nível de violência sobre quem trabalha, sobre quem tenta sobreviver com pouco e sobre quem não tem hipótese de fugir (sim!, a corrupção em Portugal não se encontra nos descontos para a segurança social e nos ordenados de quem trabalha o dia todo por um mísero salário!...). Posto isto temos em baixo dois quadro que tentam explicar o nível a que o governo liderado por Passos Coelho e Paulo Portas nos irão aos bolsos. E digo “nos irão ao bolso” porque desta vez é a todos, público e privado, com isto já não há desculpas a dizer que o público é que é cortado e o privado não..ou outras semelhantes. Com estas medidas resta ao povo trabalhador unir-se e em uníssono mandar este governo para a rua, dizer-lhes que estão a fazer um péssimo trabalho e que não lhes daremos mais oportunidades de nos roubarem.
Por isso dia 15 de Setembro às 17h estaremos em todo o país a dizer BASTA! Não queremos ser roubados e explorados! Quem fez a dívida que a pague!
Segue em baixo 2 quadro explicativos:



Trabalhadores do Público:



Remuneração liquida
Perda Publico 2013 (perda mensal em relação a 2011)
Remuneração após medidas
Perda Anual
500
90
410
1260
750
183,77
566,23
2139
1000
280
720
3640
1500
495
1005
6435



Trabalhadores do Privado:



Remuneração liquida
Perda Privado 2013 (perda mensal em relação a 2011)
Remuneração após medidas
Perda Anual
500
35
465
490
750
52,5
697,5
735
1000
70
930
980
1500
105
1395
1470

domingo, 9 de setembro de 2012

É tempo de ouvir a voz da rua!


«O que está a mudar Portugal é que se está a dar uma enorme deslocação de recursos entre classes e grupos sociais,uns ganhando, outros perdendo». A frase não pertence a nenhum perigoso activista de extrema-esquerda mas foi escrita por Pacheco Pereira, arauto do liberalismo que reforçou a sua notoriedade após a acérrima defesa da invasão do Iraque pelos EUA. A análise do militante social-democrata, sistematicamente validada pela acção do Governo Coelho/Portas, conheceu mais uma dramática confirmação esta sexta-feira aquando da comunicação ao país de mais austeridade. O Governo dirige agora o seu ataque aos trabalhadores do sector privado, acenando com o corte de um salário e mantendo-se a supressão de dois salários para funcionários públicos e pensionistas. Passos Coelho “esqueceu-se” de esclarecer qual o tempo de vigência das decisões mas fonte do Governo admitiu, sob anonimato, que elas terão carácter permanente. As medidas dirigidas aos trabalhadores do sector privado, materializadas através de um aumento da contribuição dos empregados (de 11 para 18%.) e a descida das contribuições devidas pelas empresas (23,75% para 18%) são justificadas pelo Governo com a necessidade de estimular as empresas à criação de empregos. Só uma crença cega na ideologia e nos ditames da troika pode explicar a escolha deste caminho, condenado ao fracasso tendo em conta a mais que previsível retracção do consumo e da actividade económica. Ou então, o primeiro-ministro agita hipocritamente a bandeira do combate ao desemprego, sempre à custa dos trabalhadores ainda empregados, ao mesmo tempo que cumpre, de forma eloquente, o enunciado de Pacheco Pereira. Trata-se de mais um rude golpe nos rendimentos de uma grande maioria dos assalariados portugueses, cujos contornos são conhecidos no momento em que se torna evidente o falhanço do Governo no cumprimento dos 4,5% de défice orçamental previstos para 2012, meta em nome da qual foi aumentado o IVA e cortados os 13º e o 14º meses à função pública. Por outro lado, começa a ruir o consenso fabricado nos media em torno da alegada inevitabilidade da austeridade (ver aqui, aqui e aqui). Por tudo isto é chegado o tempo deouvir a voz da rua!

sábado, 8 de setembro de 2012

Recuso-me a aceitar

Recuso-me a aceitar que um povo com a nossa História, velha de quase mil anos, seja um povo amorfo e "manso"... até porque seria um contra-senso. Mostrem do que são capazes, gente da minha terra! em luta contra a miséria a que nos querem obrigar, sem trabalho, sem salários, sem vida! Sacrifícios pelo futuro ?? Qual futuro, se nem crianças haverá pois ninguém se atreverá a tê-las para as forçar a uma vida de fome? Mais vale que se orgulhem da nossa luta, que serão obrigadas a continuar, que baixem os olhos ante a nossa cobardia ao vê-los sem pão e isso pesar na nossa consciência! Que lhes diremos, às poucas que ainda nascerem? Que nos acomodámos à pobreza e à fome? Que aceitámos retroceder e ceder à escravatura no seu rosto modernizado? Que entregámos o futuro delas às corporações multinacionais? Que nos resignamos a viver sem sistema de saúde, reduzindo a esperança de vida? Que seremos ignorantes por o ensino ser só para os ricos e perpetuar elites? Que ser pobre é uma espécie de herança funesta que consentimos em deixar-lhes? Nesse caso teríamos de aceitar também que nos chamassem cobardes!
As medidas anunciadas estão a gerar mais que indignação. Vão desaguar numa catástrofe social que vai fazer perigar a vida e o futuro. Ficamos quietos? Cedemos?
Como não acredito nisto, acredito em quem somos e na luta dos trabalhadores de todos os dias e em todo o mundo, incito todos a lançarem-se nesta batalha de peito aberto e saírem à rua sempre! Onde todas as batalhas foram ganhas pelo e para o povo!

Dia 15 sai à rua! Praça José Fontana 17h!

segunda-feira, 3 de setembro de 2012

Tiro no liro, tiro no ló


Em 1985 José Mário Branco edita o tema Tiro no liro, dedicado a Otelo Saraiva de Carvalho, onde ouvem-se os versos «Quem dá o tiro no liro vai pró chilindró /Quem dá o tiro no ló anda de popó». Lembrei-me desta canção depois de ter escutado as palavras da diretora do Departamento Central de Investigação e Ação Penal (DCIAP), Cândida Almeida, proferidas este sábado na Universidade de Verão do PSD, segundo as quais «os nossos políticos não são corruptos». Em 1984, Cândida Almeida estava colocada no Tribunal de Instrução Criminal e teve a seu cargo o processo das FP-25 de Abril, que conduziria à condenação do Capitão de Abril por crime de associação terrorista. Lembrei-me também que, mais recentemente, a magistrada do Ministério Público teve ação de revelo no processo Freeport ao liderar a investigação que terminou na absolvição dos arguidos levados a julgamento, uma decisão que deixou na penumbra o papel desempenhado por José Sócrates no licenciamento da obra. De resto, a sombra do então ministro do Ambiente pairou sobre a sala de audiências tendo o seu nome sido referido em vários testemunhos, a ponto de o Tribunal do Barreiro ter solicitado ao Ministério Público que fossem investigados indícios de corrupção naquele organismo governamental. Uma tomada de posição que pôs em causa o trabalho desenvolvido pela magistrada do DCIAP e que, ao que parece, muito a terá irritado. Por tudo isto, as declarações deste fim-de-semana espantam pelo seu tom categórico, surgindo aos ouvidos de quem as ouve como uma absolvição a priori de toda a classe política. No fundo, esta frase foi dita por alguém que personifica as contradições do nosso sistema judicial. Em Portugal parece ser mais fácil levar a julgamento assaltantes de galinheiros ou acusados de crimes de sangue do que políticos envolvidos em crimes de colarinho branco, uma demonstração do carácter de classe – burguês, para sermos mais claros – da justiça portuguesa. Uma justiça que se diz cega mas onde os piores cegos são aqueles que não querem ver. 


quarta-feira, 29 de agosto de 2012

O fim da RTP2: anatomia de um golpe em preparação

No final da semana passada o país ficou a conhecer a solução milagrosa engendrada pelo Governo para o dossiê RTP. A intenção de fechar a RTP2 e de concessionar todos os outros canais de rádio e de televisão a uma entidade privada, anunciada na passada quinta-feira com estrépito por António Borges num canal da concorrência, parece constituir o plano predileto de Relvas &. Cia para, na ótica do Governo, libertar o Orçamento Geral do Estado dos encargos inerentes a um serviço público de rádio e televisão. Contudo, esta proposta surge como a que melhor responde aos vários interesses em jogo. Em primeiro lugar, os do Governo. Ao encerrar o canal que mais se aproximava de uma certa ideia de serviço público (ver post Não ao fim da RTP2!) mantendo no ar RTP1 onde persistem programas do calibre de um O preço Certo em Euros, garante-se a existência de um canal com a audiência necessária para servir de correia de transmissão para a propaganda do Governo e de passerelle para os seus ministros. Por outro lado, a extinção da RTP2, e não a sua privatização, como tinha sido prometido pelo PSD, assegura aos operadores privados atualmente no terreno que tudo se mantem como está na luta pelo mercado publicitário, sem a intromissão de mais um jogador. Desta forma, as tomadas de posição de Balsemão e Pais do Amaral, patrões da SIC e TVI, respetivamente, contra a privatização da RTP não caem em saco roto. Por último, o grupo privado a quem for atribuída a concessão dos canais de rádio e televisão vê canalizadas, diretamente para os seus bolsos, as receitas provenientes da contribuição audiovisual paga pelos portugueses através das faturas da eletricidade e que hoje são fatia importante do financiamento da rádio e televisão públicas. Para além de determinar quem acede, e em que condições, ao tal mercado audiovisual, o Governo ainda garante uma renda fixa ao grupo empresarial que ganhar a concessão. Os consumidores de eletricidades serão chamados a financiar uma empresa privada ao abrigo de um contrato de concessão do serviço público quando existem outras empresas privadas a operar em canal aberto e sem recurso a essas receitas. Tal arranjo é a demonstração plena de como é falsa a formulação segundo a qual o capitalismo significa livre concorrência num mercado sem regras definidas pelo Estado. Ao optar por este expediente, o Governo regula o mercado no sentido de manter intactas as fontes de receita dos atuais operadores privados e restringe a entrada no mercado audiovisual a uma empresa que não fará qualquer investimento em novas infraestruturas e que, afirmou António Borges, terá carta-branca para despedir trabalhadores. Esta opção política mostra-nos um Governo protetor de empresários avessos ao risco e que tudo investem em relações políticas privilegiadas com os partidos do bloco central. Sem qualquer proteção ficam os trabalhadores ameaçados de despedimento e os consumidores de eletricidade, sujeitos a aumentos de monta nas faturas, e agora prováveis financiadores involuntários de empresas privadas ociosas.

segunda-feira, 27 de agosto de 2012

Lisboa Vandalizada

O incêndio no Chiado foi o culminar do consulado do pior presidente de câmara da história de Lisboa. E tendo em conta as aventesmas destruidoras que temos tido desde então, não digo isto de animo leve. Krus abecassis foi o responsável político pela destruição do edificado de finais de XIX e início do século XX (alguns prémios Valmor) do qual ja pouco resta hoje em dia na Avenida da República que até então se contava entre com mais belas avenidas da Europa. Entre essas jóias, desapareceu a casa de uma geração inteira de cinéfilos que era o grandioso Monumental. A grande tragédia urbanística Lisboeta que hoje atinge o seu nadir teve ínicio no mandato deste homem que deu rédea solta para iniciar a destruição do património edificado de Lisboa e a sua substituição por massas de betão. Foi no seu consulado que se ergueram o centro comercial das amoreiras que ainda hoje é uma pústula em qualquer vista de Lisboa,a disparatada reconfiguração do Martim Moniz, o esventramento do largo do Rato, o fecho de várias linhas eléctricas de que ainda hoje podemos ver os fantasmagóricos carris abandonados pela cidade. Este era o homem que presidindo a uma cidade conhecida pela sua luz, pretendia ensombrar-nos com construção em altura. Foi com este homem que se instauro a prática do fachadismo, a destruição do interior de edíficios de valor estético e/ou histórico deixando
apenas a fachada de pé. Os crimes urbanísticos perpetravam-se mesmo após o 25 de Abril e à destruição relativamente rápida, brutal e politicamente motivada da Alta de Coimbra segue-se em tempo de "democracia" a agonia de uma capital entregue à especulação imobiliária e à corrupção das edilidades dos três partidos responsáveis pela actual hora de desespero nacional.
Mas podemos culpar Krus Abecassis do incêndio do Chiado? O amor deste homem pelo betão era tal que decidira então juncar a Rua do Carmo de volumosos canteiros de betão tornando impossível a circulação dos carros de bombeiro... Corrupção e imbecilidade. Assim se destrói uma cidade, assim se destrói uma nação.
 
 

sábado, 25 de agosto de 2012

Não ao fim da RTP2!

Porque houve um tempo em que a RTP2 me deu cinema clássico americano e cinema não inglês, eu que não tinha acesso a cinematecas ou cineclubes, porque a par dos bons professores de História que tive, a minha paixão pelo passado era alimentada todos os sábados com o Lugar da História, porque o Acontece me dava diariamente um gosto da(s) cultura(s) de que eu sonhava um dia vir a saborear mais plenamente, porque ainda hoje apesar da óbvia diminuição de qualidade instilada por outro ministro de outro governo PSD (Morais Sarmento) A rtp2 continuava com a ficção de qualidade importada que despareceu da rtp1 e as séries documentais e as conversas fascinantes do Camara Clara a cumprir tanto quanto possivel a missão de serviço público, porque eu esperava que um dia os profissionais da rtp2 tivessem mais e melhores meios (os desperdiçados em concursos e pimbalhadas na rtp1), porque este é mais um crime de lesa-cultura de uma classe política inculta e filistina, A RTP2 NÃO PODE FECHAR!A RTP2 É PATRIMÓNIO PORTUGUÊS!
A alternativa ao sorvedouro de centenas de milhões não era acabar com o que havia de serviço publico de televisão. Era sim a aplicação efectiva desse conceito de serviço público tambem à RTP1. O orçamento da RTP2 era apenas uma ínfima parte dos proverbiais 400 milhões de buraco financeiro da rtp. Mas era de esperar outra decisão do homem que "norteia a sua vida pela busca incessante do conhecimento permanente"? OH RELVAS VAI ESTUDAR!