As gigantescas manifestações
que inundaram as ruas de Portugal este sábado constituíram um ruidoso clamor contra
as medidas de austeridade, impostas pela troika e zelosamente executadas
pelo Governo PSD/CDS, de que o anúncio das alterações à Taxa Social Única (TSU)
foi o dramático corolário. Este esmagador pronunciamento popular teve o mérito
de apanhar em contrapé agentes políticos de vários setores, colocando-os numa postura
defensiva e a reboque da torrente da contestação. São raros aqueles
que apostam uma ficha que seja na sobrevivência da coligação. A questão agora parece
ser como será o dia seguinte à queda do Governo, com Mário Soares, esse
especialista na arte bem portuguesa de dar uma no cravo e outra na ferradura,
a dar o mote. Diz o ex-primeiro ministro e ex-presidente da República ser possível a nomeação, por Cavaco Silva, de um novo primeiro-ministro sem convocar eleições antecipadas. Tal hipótese evoca a memória dos Governos de
iniciativa presidencial desenhados por Ramalho Eanes nos anos 70 ou, mais
recentemente, os Governos liderados por tecnocratas na Grécia e na Itália. Mas,
acima de tudo, esta hipótese, ou outras que têm sido lançadas nos media,
servem somente os desígnios da elite politica e económica de mudar algo para
que tudo fique na mesma. Ora sucede que vai chegando o momento de separar as
águas entre quem está contra a troika e quem apoia as suas medidas, por
crença ideológica ou por beneficiar do esbulho à classe trabalhadora por elas
engendrada. Devemos sair às ruas, não apenas para dizer não à TSU, mas para exigir
a demissão do Governo, dizer basta às medidas de austeridade e repudiar o
memorando de entendimento assinado entre Portugal, a Comissão Europeia, o BCE e
o FMI. Esta sexta-feira, a partir das 18 horas, estaremos em Belém, atentos às
manobras encetadas num Conselho de Estado refém de interesses obscuros. Esta
sexta-feira, juntos, formaremos um Conselho de Estado alternativo,
verdadeiramente popular.
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quinta-feira, 20 de setembro de 2012
domingo, 16 de setembro de 2012
Quando parar?
Ontem foi um dia histórico, milhares de pessoas saíram à rua por todo o país numa clara demonstração que o Povo não quer esta receita, não quer este remédio que nos querem enfiar goela abaixo. Ontem foi o 1º grito de revolta contra quem diariamente nos rouba e nos tira qualquer possibilidade de viver. Quem tem filhos já não os consegue alimentar, quem não tem sonha em vir a tê-los mas sabe que não o vai conseguir, e muito mais gente sonha apenas em ter uma vida digna onde não tenha de escolher entre ter uma casa um tecto para dormir ou pagar a próxima refeição. Por isto não podemos parar! O Contra-Reaccionário esteve ontem mais uma vez nesta luta incansavelmente e assim continuará. Esperando que todos se juntem em próximas manifestações e iniciativas até termos uma vida digna de ser vivida!
sábado, 15 de setembro de 2012
É a hora!!
Nem rei nem lei, nem paz nem guerra,
Define com perfil e ser
Este fulgor baço da terra
Que é Portugal a entristecer —
Brilho sem luz e sem arder,
Como o que o fogo-fátuo encerra.
Define com perfil e ser
Este fulgor baço da terra
Que é Portugal a entristecer —
Brilho sem luz e sem arder,
Como o que o fogo-fátuo encerra.
Ninguém sabe que coisa quer.
Ninguém conhece que alma tem,
Nem o que é mal nem o que é bem.
(Que ânsia distante perto chora?)
Tudo é incerto e derradeiro.
Tudo é disperso, nada é inteiro.
Ó Portugal, hoje és nevoeiro...
Ninguém conhece que alma tem,
Nem o que é mal nem o que é bem.
(Que ânsia distante perto chora?)
Tudo é incerto e derradeiro.
Tudo é disperso, nada é inteiro.
Ó Portugal, hoje és nevoeiro...
É a Hora!
Esta é a hora em que somos chamados como na "Mensagem" de Fernando Pessoa a grandes feitos! Hoje todos temos um dever! Ir à luta pelo que é nosso, ir pelos nossos filhos (existentes ou hipotéticos no futuro), por todos! Praça José Fontana (Picoas) às 17h, ou numa cidade perto de si!
terça-feira, 11 de setembro de 2012
Contas feitas...Ganda Gamanço!!!
… E o 1º ministro anunciou mais uma quantidade de
medidas de austeridade, entre as quais está um autêntico gamanço
aos salários de todos os trabalhadores (público e privado), e estas
medidas não vão ficar de certo por aqui. Com este nível de
violência sobre quem trabalha, sobre quem tenta sobreviver com pouco
e sobre quem não tem hipótese de fugir (sim!, a corrupção em
Portugal não se encontra nos descontos para a segurança social e
nos ordenados de quem trabalha o dia todo por um mísero
salário!...). Posto isto temos em baixo dois quadro que tentam
explicar o nível a que o governo liderado por Passos Coelho e Paulo
Portas nos irão aos bolsos. E digo “nos irão ao bolso” porque
desta vez é a todos, público e privado, com isto já não há
desculpas a dizer que o público é que é cortado e o privado
não..ou outras semelhantes. Com estas medidas resta ao povo
trabalhador unir-se e em uníssono mandar este governo para a rua,
dizer-lhes que estão a fazer um péssimo trabalho e que não lhes
daremos mais oportunidades de nos roubarem.
Por isso dia
15 de Setembro às 17h estaremos em todo o país a dizer BASTA! Não
queremos ser roubados e explorados! Quem fez a dívida que a pague!
Segue em baixo 2 quadro explicativos:Trabalhadores do Público:
|
Remuneração liquida
|
Perda Publico 2013 (perda mensal em relação a
2011)
|
Remuneração após medidas
|
Perda Anual
|
|
500
|
90
|
410
|
1260
|
|
750
|
183,77
|
566,23
|
2139
|
|
1000
|
280
|
720
|
3640
|
|
1500
|
495
|
1005
|
6435
|
Trabalhadores do Privado:
|
Remuneração liquida
|
Perda Privado 2013 (perda mensal em relação a
2011)
|
Remuneração após medidas
|
Perda Anual
|
|
500
|
35
|
465
|
490
|
|
750
|
52,5
|
697,5
|
735
|
|
1000
|
70
|
930
|
980
|
|
1500
|
105
|
1395
|
1470
|
domingo, 9 de setembro de 2012
É tempo de ouvir a voz da rua!
«O que está a mudar Portugal é que se está a dar uma enorme deslocação de recursos entre classes e grupos sociais,uns ganhando, outros perdendo». A frase não pertence a nenhum perigoso activista
de extrema-esquerda mas foi escrita por Pacheco Pereira, arauto do liberalismo que
reforçou a sua notoriedade após a acérrima defesa da invasão do Iraque pelos
EUA. A análise do militante social-democrata, sistematicamente validada pela
acção do Governo Coelho/Portas, conheceu mais uma dramática confirmação esta
sexta-feira aquando da comunicação ao país de mais austeridade. O Governo dirige
agora o seu ataque aos trabalhadores do sector privado, acenando com o corte de
um salário e mantendo-se a supressão de dois salários para funcionários públicos
e pensionistas. Passos Coelho “esqueceu-se” de esclarecer qual o tempo de
vigência das decisões mas fonte do Governo admitiu, sob anonimato, que elas terão carácter permanente. As medidas dirigidas aos trabalhadores do sector privado,
materializadas através de um aumento da contribuição dos empregados (de 11 para
18%.) e a descida das contribuições devidas pelas empresas (23,75% para 18%) são
justificadas pelo Governo com a necessidade de estimular as empresas à criação
de empregos. Só uma crença cega na ideologia e nos ditames da troika
pode explicar a escolha deste caminho, condenado ao fracasso tendo em conta a mais
que previsível retracção do consumo e da actividade económica. Ou então, o primeiro-ministro
agita hipocritamente a bandeira do combate ao desemprego, sempre à custa dos
trabalhadores ainda empregados, ao mesmo tempo que cumpre, de forma eloquente, o
enunciado de Pacheco Pereira. Trata-se de mais um rude golpe nos rendimentos de
uma grande maioria dos assalariados portugueses, cujos contornos são conhecidos
no momento em que se torna evidente o falhanço do Governo no cumprimento dos
4,5% de défice orçamental previstos para 2012, meta em nome da qual foi
aumentado o IVA e cortados os 13º e o 14º meses à função pública. Por outro
lado, começa a ruir o consenso fabricado nos media em torno da alegada inevitabilidade
da austeridade (ver aqui, aqui e aqui). Por tudo isto é chegado o tempo deouvir a voz da rua!
sábado, 8 de setembro de 2012
Recuso-me a aceitar
Recuso-me a aceitar que um povo com a nossa
História, velha de quase mil anos, seja um povo amorfo e "manso"... até
porque seria um contra-senso. Mostrem do que são capazes, gente da minha
terra! em luta contra a miséria a que nos querem obrigar, sem trabalho,
sem salários, sem vida! Sacrifícios pelo futuro ?? Qual futuro, se nem
crianças haverá pois ninguém se atreverá a tê-las para as forçar a uma
vida de fome? Mais vale que se orgulhem da nossa luta, que serão
obrigadas a continuar, que baixem os olhos ante a nossa cobardia ao
vê-los sem pão e isso pesar na nossa consciência! Que lhes diremos, às
poucas que ainda nascerem? Que nos acomodámos à pobreza e à fome? Que
aceitámos retroceder e ceder à escravatura no seu rosto modernizado?
Que entregámos o futuro delas às corporações multinacionais? Que nos
resignamos a viver sem sistema de saúde, reduzindo a esperança de vida?
Que seremos ignorantes por o ensino ser só para os ricos e perpetuar
elites? Que ser pobre é uma espécie de herança funesta que consentimos
em deixar-lhes? Nesse caso teríamos de aceitar também que nos chamassem
cobardes!
As medidas anunciadas estão a gerar mais que indignação. Vão desaguar numa catástrofe social que vai fazer perigar a vida e o futuro. Ficamos quietos? Cedemos?
Como não acredito nisto, acredito em quem somos e na luta dos trabalhadores de todos os dias e em todo o mundo, incito todos a lançarem-se nesta batalha de peito aberto e saírem à rua sempre! Onde todas as batalhas foram ganhas pelo e para o povo!
As medidas anunciadas estão a gerar mais que indignação. Vão desaguar numa catástrofe social que vai fazer perigar a vida e o futuro. Ficamos quietos? Cedemos?
Como não acredito nisto, acredito em quem somos e na luta dos trabalhadores de todos os dias e em todo o mundo, incito todos a lançarem-se nesta batalha de peito aberto e saírem à rua sempre! Onde todas as batalhas foram ganhas pelo e para o povo!
Dia 15 sai à rua! Praça José Fontana 17h!
segunda-feira, 3 de setembro de 2012
Tiro no liro, tiro no ló
Em 1985 José
Mário Branco edita o tema Tiro no liro, dedicado a Otelo Saraiva de
Carvalho, onde ouvem-se os versos «Quem dá o tiro no liro vai pró chilindró /Quem
dá o tiro no ló anda de popó». Lembrei-me desta canção depois de ter escutado
as palavras da diretora do Departamento Central de Investigação e Ação Penal
(DCIAP), Cândida Almeida, proferidas este sábado na Universidade de Verão do
PSD, segundo as quais «os nossos políticos não são corruptos». Em 1984, Cândida
Almeida estava colocada no Tribunal de Instrução Criminal e teve a seu cargo o
processo das FP-25 de Abril, que conduziria à condenação do Capitão de Abril por crime de associação terrorista. Lembrei-me também que, mais
recentemente, a magistrada do Ministério Público teve ação de revelo no
processo Freeport ao liderar a investigação que terminou na absolvição dos arguidos
levados a julgamento, uma decisão que deixou na penumbra o papel desempenhado
por José Sócrates no licenciamento da obra. De resto, a sombra do então
ministro do Ambiente pairou sobre a sala de audiências tendo o seu nome sido referido
em vários testemunhos, a ponto de o Tribunal do Barreiro ter solicitado ao
Ministério Público que fossem investigados indícios de corrupção naquele
organismo governamental. Uma tomada de posição que pôs em causa o trabalho
desenvolvido pela magistrada do DCIAP e que, ao que parece, muito a terá irritado. Por tudo isto, as declarações deste fim-de-semana espantam pelo seu
tom categórico, surgindo aos ouvidos de quem as ouve como uma absolvição a
priori de toda a classe política. No fundo, esta frase foi dita por alguém
que personifica as contradições do nosso sistema judicial. Em Portugal parece
ser mais fácil levar a julgamento assaltantes de galinheiros ou acusados de
crimes de sangue do que políticos envolvidos em crimes de colarinho branco, uma
demonstração do carácter de classe – burguês, para sermos mais claros – da justiça
portuguesa. Uma justiça que se diz cega mas onde os piores cegos são aqueles
que não querem ver.
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