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domingo, 18 de novembro de 2012

14 de Novembro

Não esquecerei os gritos de uma mulher ali ao lado cujo rosto nunca vi
porque tinha o rosto coberto a espera de mais pancadas
Não esquecerei a certeza ao correr de que nos esmagaríamos uns aos outros,
Não esquecerei os 2 metros do fosso e a escolha entre partir as pernas
e partirem me a cabeça,
Não esquecerei o som dos corpos a cair, nem a visão de gente a cair de costas,
Não esquecerei o ódio no olhar e nas palavras do polícia que me
agrediu e o sabor do meu próprio sangue,
Não esquecerei a raiva de ver gente inocente prostrada pela violência
dos bastões,como se a violência dos dias de austeridade não fosse
suficiente
Não esquecerei a angústia dos camaradas desaparecidos, o imaginar
sortes piores que uma cabeça ferida
Não esquecerei a fuga pelas ruas e o receio que um uniforme dobrasse a esquina,
Não esquecerei as histórias vindas de Monsanto, do Calvário, o medo de
um iminente regresso ao passado

Nem quero esquecer...
E porque só não é livre, quem não continuar a lutar
Voltarei a São Bento.

quinta-feira, 15 de novembro de 2012

A Carga...

Relativamente a ontem há várias considerações a serem feitas, esclarecimentos e relatos do que se passou e acusações sobre o que não se passou.

1 – Ontem São Bento estiveram largos milhares de pessoas, enchiam desde a Avenida Dom Carlos I até à Fundação Mário soares, bastante mais do que as últimas duas manifestações em frente ao parlamento, provindo de 3 manifestações que se tornaram uma só apartir do Rossio
2 – A manifestação de movimentos sociais e estivadores (Plataforma 15 de Outubro, Movimento sem emprego, MCD e M12M) levou uma boa quantidade de pessoas desde o cais o sodré até ao Rossio e daí para S. Bento. Ao mesmo tempo juntou-se outra manifestação do colectivo "Que se lixe a troika" que arrastou mais algumas pessoas. Já na praça estava a CGTP com não mais de 500 pessoas.Após a saída da CGTP de S. Bento, o número de pessoas na praça continuou a ser sensivelmente o mesmo.
3 – Cerca de 30 minutos depois da CGTP abandonar oficialmente a manifestação foram derrubadas as grades e começou uma chuva de pedras, garrafas, balões com tinta, petardos e inúmeras outras coisas. Este arremesso de objectos à polícia subiu de tom quando a própria polícia agrediu pessoas que procuravam sentar-se pacificamente nas escadas, tendo várias pessoas sido pontapeadas pela polícia quando pediam a outros manifestantes que deixassem de atirar pedras. Várias pessoas procuraram demover outras tantas, tendo-se incluindo verificado algumas pequenas escaramuças entre manifestantes.
4 – Os presentes eram homens e mulheres, crianças, jovens e velhos, activistas e gente sem filiação política clara. Extremamente heterogéno, como têm sido todas estas mobilizações.
5 – É ridículo considerar que é dado um aviso de carga quando um polícia fala a um megafone numa praça onde largos milhares de pessoas gritavam palavras de ordem. A ter sido dado a tal ordem de evacuação doi dada com o propósito de não ser audível.
6 – Contrariamente a outras ocasiões a polícia mostrou desde o início uma enorme hostilidade em relação aos manifestantes – ao contrário do ar impávido e sereno de outras ocasiões desta vez insultaram pessoas, provocaram manifestantes, agrediram outros apenas por bravata – tudo isto antes das cargas
7 – A carga foi o que se viu: espancou dezenas de pessoas que nunca na vida atiraram uma flor a um polícia, agrediu brutalmente largos milhares de "meia-dúzia" de profissionais da desordem.
8 – Relativamente aos media é  a pior cobertura de uma manifestação de sempre, vendo os directos de ontem não há uma única afirmação que não corresponda a propaganda governamental e ignorância pura. A facilidade com que se repete a versão da polícia é assustadora e preocupante.
 9 -  Segue aqui um testemnho de um dos detidos ILEGALMENTE no antigo tribunal da Boa -Hora: "

Testemunho de João Pinheiro (um dos detidos em Monsanto):
Fui um dos Detidos no Tribunal da Boa-Hora em Monsanto. Não participei em nenhum acto de Violência, não atirei pedras. Apenas fugi de Polícias de Choque que espancavam toda e qualquer pessoa, mesmo que tentasse acalmar o ânimos, como vi.
Os Detidos no Cais do Sodré foram arbitrários, entre um grande grupo de pessoas que fugia pela 24 de Julho, das balas de borracha que eram disparadas contra o manifestantes, ao contrário do que se anda ai a espalhar (uma das outras detidas foi atingida por uma).
Fomos levados, algemados e revistados por três vezes, para a Boa-Hora sem nos ser dada informação para onde íamos ou do que éramos acusados. Nenhum dos Polícias tinha identificação.
Fomos postos em grupos de 5 em cada cela e deixados, descalços, durante 3 horas, sem qualquer informação, mais um vez.
Por fim, fomos levados a assinar um papel em que nos identificávamos e que não continha qualquer acusação, sendo depois mandados para fora, pela polícia sem que tivéssemos usufruído do direito ao telefonema ou a falar com um advogado.
Foi esta a experiência minha e de mais cerca de 20 manifestantes Pacíficos, que durante o tempo na cela, cantaram em uníssono, a Internacional."

Não nos calaremos! Continuaremos todos na rua até o governo cair! Passos e portas para a Rua!

Como se branqueia uma carga policial




Tem razão quem defende que um conjunto de imagens pode ter várias interpretações dependendo do prisma do observador. Os graves incidentes que pontuaram o final da manifestação frente ao palácio de S. Bento, em dia da greve geral, nos quais a PSP varreu centenas de manifestantes das ruas a golpes de bastão, foram vistos como uma resposta «proporcional» da autoridade. Aliás, esses manifestantes, onde se incluíam crianças, idosos e até pessoas em cadeiras de rodas, foram promovidos à categoria de «grupos organizados». A atuação da polícia, cruamente documentada pelas imagens aqui postadas, foi denominada de «ação tática para mitigar a violência» (repare-se, aqui o termo violência já merece ser aplicado) gerada pelas pedras arremessadas contra a polícia. O autor desta leitura é o porta-voz do Observatório de Segurança, Criminalidade Organizada e Terrorismo e chama-se Felipe Pathé Duarte. De resto, o que se passou no final da tarde desta quarta poderá ser o aperitivo do que aí vem em termos do intensificar da repressão à contestação social. O ministro da Administração Interna já atribuiu a ocorrência a «meia dúzia de profissionais da desordem e da provocação». Ler aqui e ouvir aqui clicando no noticiário das 22 horas.

Editado a 15 de Novembro de 2012 às 13:02

domingo, 4 de novembro de 2012

SAI DO SOFÁ E LUTA !!

O Inverno está a chegar triste, frio e chuvoso... este ano, não temos Natal, tal como já não tivemos férias. O governo cortou os subsídios e ceifou cruelmente as esperanças que ainda havia às réstias de alguém ter uma vida decente.
O aumento do IRS é do dos maiores ataques jamais vistos à classe trabalhadora. Não se vê que toque nos grandes do costume, os banqueiros continuam a escapar incólumes à crise... Por acaso não... têm enriquecido brutalmente à custa do povo. Os cortes previstos para todas as áreas somam e seguem num atentado despudorado aos mais pobres. A saúde enfrenta uma situação em que se confirma haver racionamento de medicamentos, em especial contra o cancro, encerramento de unidades de saúde e médicos exaustos. Na Educação, os alunos amontoam-se em salas onde os poucos professores que escaparam à fúria da dupla Gaspar/Crato ainda leccionam. O governo baixou as pensões dos reformados, mas aumentou o custo de vida até ao nível do impensável. A fome é uma realidade que aflige diariamente milhares de pessoas. Há um número de desempregados inaceitável.
Quem passeia um pouco pelas ruas em Lisboa durante a noite, percebe que os sem-abrigo duplicaram. Não são marginais, são gente que se viu sem emprego e que teve de entregar a sua casa depois de anos de sacrifício a pagá-la.
A fila à porta dos vários locais onde se distribui a famigerada sopa dos pobres cresce a cada dia. Lá encontramos velhos, mulheres, crianças, jovens, tudo... envergonhadamente recolhendo um pouco de consolo e alimento.
NÓS TODOS devíamos revoltarmo-nos contra esta situação, tomar nas nossas mãos a coragem de dizer Basta!
A descrição é feia, a realidade medonha. Porque é que não agimos??
Se o povo não se unir, será esmagado!
Vem lutar pelo teu futuro pois é disso que se fala! Começa a mudar, sai do sofá, junta-te aos movimentos da sociedade, FAZ GREVE DIA 14 E PARTICIPA EM TODOS OS PROTESTOS DO MUNDO!! GLOBALIZA A ACÇÃO!

sexta-feira, 12 de outubro de 2012

Será que se pira?



Agora que se sabe mais um pouco da "extorsão" feita pelo governo liderado por Passos Coelho e Paulo Portas, que nada mais é  que um roubo(Podem acusar-me de instigar a violência...não é maior violência que aquela que este governo aplica). Fica a dúvida no ar...será que Nogueira Leite vai cumprir a palavra e se vai pirar?


segunda-feira, 8 de outubro de 2012

Vamos dizer alto e bom som..."Este não é o nosso orçamento!"



 Dia 15 de Setembro tivemos mais de meio milhão de pessoas na rua que mostraram o cartão vermelho ao governo, o governo não caiu mas abanou. O abano foi de tal ordem que até se pôs a hipótese de o CDS sair do governo..deixando o PSD sozinho no governo. Esta solução não aconteceu muito devido ao Conselho de Estado e à água na fervura metida por Cavaco Silva. Mas o governo continuou no seu caminho de bulldozer com novas medidas. Como o governo se fez de surdo só nos resta gritar mais alto e no dia 15..dia de entrega do Orçamento ir dizer alto e bom som ..."Parlamento este não é o nosso Orçamento!"