A precariedade é cada vez maior, isto não é novidade. Seja por contratos ao dia, à hora ou por recibos-verdes, há as maiores variedades de trabalhar sem ter qualquer espécie de garantia. Ontem recebi um anúncio de trabalho de uma organização chamada "Movimento ao Serviço da Vida (MSV)", onde diziam que era para uma campanha de angariação de fundos. Portanto e bem traduzido Angariação de fundos = andar a pedir dinheiro. Quem é o MSV? Indo à sua página e à secção "quem somos?" temos uma definição que diz que são "um movimento de católicos que querem viver a sua fé e o serviço à vida no dia-a-dia", além de "uma associação, que promove a dignidade da vida, em toda e qualquer circunstância e sem exceção alguma". Fiquei imediatamente com uma dúvida se é legítimo a um movimento que diz promover a dignidade da vida querer empregar pessoas a recibos-verdes? Outra dúvida que também me surgiu...se é legítimo um movimento religioso recrutar desempregados para defender as suas ideias. Nesta situação houve outra questão juntamente com os recibos verdes...é que este movimento, pretende pagar a quem vá defender as suas ideias e pedir dinheiro a escolas e empresas a quantia de 2€ à hora. Quem já trabalhou ou que perceba um mínimo de recibos-verdes sabe que este valor não cobre sequer o valor dos impostos. Onde fica a dignidade da vida defendida? Parece que o "sem exceção alguma" tem alguns buracos. Pois quem trabalha para eles pode receber em condições de trabalho escravo.
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quarta-feira, 26 de fevereiro de 2014
terça-feira, 25 de fevereiro de 2014
Separados à nascença ou a face e a coroa da mesma moeda?
Neste fim de semana tanto PSD como PS anunciaram os seus candidatos para as próximas eleições Europeias. Qualquer um dos dois já é uma cara conhecida e com algum passado. O Paulo Rangel, como candidato nas últimas eleições (e apoiante deste governo) e o Francisco Assis, como ex-líder parlamentar do PS com José Sócrates.
Francisco Assis já é um velho conhecido destas "lides"., ex-líder Parlamentar do PS durante o governo de José Sócrates, onde se opôs por exemplo à tributação de mais-valia de acções (ameaçando demitir-se) ou defendendo uma coligação com PSD e CDS nas próximas legislativas. Mas o tema que o tornou mais conhecido foi quando em polémica com os carros luxuosos usados pelo governo ou por líderes parlamentares diz "Qualquer dia querem que o presidente do Grupo Parlamentar do PS ande de Clio quando se desloca em funções oficiais". Em resposta a esta declaração posso dizer que até queria, ou melhor...podia usar os transportes públicos! Só assim ia perceber como se desloca o restante povo que trabalha todos os dias e que não tem regalias e mordomias diferentes de toda uma população.
Por último e para se perceber que o PS e a sua candidatura em nada diferem do actual governo do PSD/CDS temos esta declaração feita após ser anunciado como candidato em que o Francisco Assis diz que a sua candidatura é a candidatura do bloco central. Esta é a candidatura do PS ou do PSD? Qualquer que seja a resposta, está provado que são os dois a cara e a coroa da mesma moeda da austeridade, do empobrecimento permanente e da morte lenta.
quinta-feira, 20 de fevereiro de 2014
Ucrânia: Aqui tão perto e tão longe
Os protestos na Ucrânia sucedem-se, e vamos tendo visões de diferentes lados. É falso que as manifestações sejam de extrema-direita e que por isso não se pode apoiar. Não nego a existência de extrema-direita nas manifestações (tal como existem em algumas manifestações grandes em Portugal), mas isso não pode significar que se abandone a luta de todo um povo e que se deixe esse povo à sua sorte. Pior do que deixar à sua sorte é condenar o facto de estarem a tentar mudar e por essa via apoiar o Presidente Ucrâniano na sua fúria assassina. Mas, não temos apenas esse lado, temos as visões (transmitidas pela comunicação social) de que o povo Ucrâniano quer a União Europeia. Até assumo que queiram a União Europeia, o que é totalmente legítimo, porque quando se está numa situação tão má como a que eles se encontram, qualquer melhoria já é significativa. Mas a situação deve ser outra, pois nem UE nem Russia, irão levar a sorte deste povo a bom porto. Por isso só resta uma terceira e última saída. O que resta é organizarem-se em organismos locais, de base e desse modo organizarem a resistência em primeiro lugar ao governo de Yanukovick, para posteriormente e nesses mesmos organismos decidir tudo o que respeitar ao movimento, desse modo não deixam margem de manobra a grupos fascistas que queiram tomar conta do movimento e conseguem organizar e lutar por algo que o povo queira legitimamente. Deixo por fim um vídeo que está a circular e que explica em 2 minutos, porque é que estão na Praça da Independência.
segunda-feira, 17 de fevereiro de 2014
Síndrome de oposição permanente
Ainda há uns dias, publiquei um texto que falava da urgência de uma Unidade à Esquerda. Isto se queremos ver algo diferente do festival de PS e PSD a alternarem no governo. Mas a realidade infelizmente é só e apenas uma. Após várias propostas... do LIVRE, do 3D, do MAS, que acabaram as duas primeiras por cair e a terceira por se manter e chegar a reunir com várias forças políticas para se conseguir algo que era essencial...a constituição de um terceiro pólo que quisesse ser governo. Mas a realidade é diferente, e cada vez mais fica provado que há quem queira ser oposição permanente, que se sente mais confortável a dizer que algo está mal, e que fariam diferente, mas que nunca se propõem a querer ser governo e fazer diferente. Chegamos até ao ridículo, que é o Bloco e o PCP dizerem que querem um governo de Esquerda ou um governo Patriótico e de Esquerda, mas quando os confrontam de que é preciso então seguir em frente e procurar aliados para isso (excluindo o PS), descartam-se e fica a ideia que esses governos de esquerda" são apenas consigo próprios, numa espécie de egocentrismo que não devia existir quando os destinos do país é que estão em jogo. Quando escrevi o último texto sobre isto (link em cima), o PCP já tinha apresentado candidato, mas não se tinha pronunciado sobre esta temática. Quanto ao Bloco de Esquerda, ainda não tinha candidato mas já se inclinava a rejeitar. Nos últimos dias assistimos ao já expectável (infelizmente) de quem apenas quer viver dos fundos do parlamento sem assumir qualquer responsabilidade. Da parte do PCP, já houve reacção por parte do Bernardino Soares (o mesmo da coligação com o PSD em Loures) a dizer "Cada um deve ir com as suas forças e com as suas posições e procurar reforçar a esquerda.", o que leva à frase de 2011 que levou à eleição de Passos Coelho "cada um deve ir na sua bicicleta". Portanto aqui, temos mais do mesmo, a esperança de continuar a usufruir dos dinheiros públicos sem querer de modo nenhum assumir responsabilidades. Quanto ao Bloco, a resposta é assim algo mirabolante. Diz João Semedo (Coordenador do Bloco) que uma "Convergência à esquerda seria «dar a mão» a futuro Governo liderado por Seguro". Das duas uma, ou o coordenador do bloco de esquerda quer fingir que não entendeu propostas claras que iam no sentido de não dar a mão ao PS e formar como dito anteriormente um terceiro pólo SEM PS, que se propusesse a ser governo ou (e esta é a pior hipótese) quer fazer todo o povo (seja de esquerda ou não) de burro e de estúpido e ao mesmo tempo ficar com os 8 lugares no parlamento (ou aumentar um pouco) e assim nunca assumir qualquer responsabilidade no futuro do País.
sexta-feira, 14 de fevereiro de 2014
Justiça ao fundo... bombardeada por submarinos
Os arguidos do caso dos submarinos foram hoje absolvidos por falta de provas. Não é que não tenha existido crime, mas não o conseguem provar. É incrível a capacidade de serem cometidos crimes e de eles passarem impunes. Parece que agora o dinheiro pode andar de conta em conta sem se saber para onde foi, mas sabendo-se de onde veio. Pelos vistos não é relevante que tenham ido 19 milhões de euros para contas em offshores, e não é relevante que se tenham comprado 2 submarinos por mil milhões de euros, e se tenha por essa via endividado o país. Ainda existe uma agravante, é que esses submarinos passaram mais tempo parados do que a "navegar".
terça-feira, 11 de fevereiro de 2014
Não têm pão? Comam brioches! - O Saque continua
Dia após dia, o saque do País continua e não pára. As privatizações de empresas lucrativas continuam, seja EDP, GALP; ÁGUAS ou a SILOPOR. E que empresa é a SILOPOR? (desconhecida pela esmagadora maioria das pessoas provavelmente) A SILOPOR é a empresa que armazena 50% dos cereais consumidos em Portugal, pelo que tem todas as características para ser uma empresa de carácter estratégico e de grande importância para a soberania.
Claro que as opiniões dividem-se quando se fala de empresas públicas. Há quem diga que são mal geridas, que não dão lucro, etc. Mas não é o caso da SILOPOR, que dá um lucro de 1 milhão de Euros anualmente, que só não são 4 milhões/ano, porque a União Europeia obrigou a SILOPOR a contrair uma dívida de 163 milhões de euros que ainda está a ser paga. Quem vai beneficiar desta empresa ser privada? Uma coisa é certa, não será o povo, não serão os contribuintes. Pois, com esta medida o preço dos cereais deixa de estar na mão pública e passa a estar na mão de privados que não terão qualquer problema em aumentar o preço dos cereais para conseguir ter um lucro mais elevado. De futuro a especulação promovida pelo privado que ficar com a empresa ou um eventual Lockout pode fazer com que o preço aumente e aí teremos a fome de regresso ao país de uma forma alarmante. Esta privatização é em poucas palavras a entrega da comida do País a uns poucos. A continuar este caminho nem pão teremos na mesa!
Mais algumas informações:
Claro que as opiniões dividem-se quando se fala de empresas públicas. Há quem diga que são mal geridas, que não dão lucro, etc. Mas não é o caso da SILOPOR, que dá um lucro de 1 milhão de Euros anualmente, que só não são 4 milhões/ano, porque a União Europeia obrigou a SILOPOR a contrair uma dívida de 163 milhões de euros que ainda está a ser paga. Quem vai beneficiar desta empresa ser privada? Uma coisa é certa, não será o povo, não serão os contribuintes. Pois, com esta medida o preço dos cereais deixa de estar na mão pública e passa a estar na mão de privados que não terão qualquer problema em aumentar o preço dos cereais para conseguir ter um lucro mais elevado. De futuro a especulação promovida pelo privado que ficar com a empresa ou um eventual Lockout pode fazer com que o preço aumente e aí teremos a fome de regresso ao país de uma forma alarmante. Esta privatização é em poucas palavras a entrega da comida do País a uns poucos. A continuar este caminho nem pão teremos na mesa!
Mais algumas informações:
- http://mas.org.pt/index.php?option=com_content&view=article&id=789%3Aprivatizacao-da-silopor-cereais-baratos-para-os-ricos-caros-para-os-pobres&catid=86%3Anacional&Itemid=537
- http://www.publico.pt/economia/noticia/governo-avanca-para-a-concessao-da-silopor-a-ete-1619980
segunda-feira, 10 de fevereiro de 2014
E depois do PSD vem o PS?
A discussão sobre as Europeias e a partir daí as legislativas (antecipadas ou não) está lançada. A pergunta que qualquer pessoa objectivamente faz é "quem governará o país?". Porque por mais idealismos que existam, a maioria das pessoas são práticas na altura de depositarem o voto nas urnas. E aí, regra geral há duas hipóteses, ou votam PS ou PSD. A questão que fica é, e se houvesse uma terceira alternativa à esquerda com abrangência suficiente? Aí poderíamos ter outro desfecho, com uma coligação alargada que incluísse PCP, BE, LIVRE, PAN, MAS e militantes do PS que considerem que o PS não pratica políticas de esquerda. Mas para isso alguém tem de dar o primeiro passo. Já tivemos vários proponentes...o Movimento 3D (com Daniel Oliveira), o LIVRE (com Rui Tavares) e o Movimento Alternativa Socialista. Mas ao longo dos dias, ou as propostas caem, como com o 3D ("3D, o manifesto que já garantiu que está fora da corrida às europeias –
porque o Bloco de Esquerda só aceitava convergir sem o Livre de Rui
Tavares."), ou decidem por se quererem enfiar dentro do governo com o PS e fazer portanto uma austeridade mais soft, mas austeridade à mesma, como foi o LIVRE. Sobra portanto o Movimento Alternativa Socialista (MAS), que propôs uma coligação alargada às Europeias que incluí-se PCP, BE, LIVRE, PAN e 3D, mas também por este lado não está fácil. Além de o Bloco de Esquerda já ter recusado liminarmente qualquer convergência, o PCP já lançou candidato próprio, pelo que esta muito desejada unidade alternativa à esquerda parece para já gorada. Resta pensar no futuro, mas sem descartar o presente e um pensamento que deve passar pela cabeça de toda a gente. Deixamos o País e a Europa nas mãos de quem nos trouxe até aqui ou mudamos? Quanto a quem não quer mudar e quer apenas continuar a dizer que está mal sem se propôr fazer diferente, devemos desejar boa viagem, e nunca mais depositar aí esperanças.
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