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quarta-feira, 29 de agosto de 2012

O fim da RTP2: anatomia de um golpe em preparação

No final da semana passada o país ficou a conhecer a solução milagrosa engendrada pelo Governo para o dossiê RTP. A intenção de fechar a RTP2 e de concessionar todos os outros canais de rádio e de televisão a uma entidade privada, anunciada na passada quinta-feira com estrépito por António Borges num canal da concorrência, parece constituir o plano predileto de Relvas &. Cia para, na ótica do Governo, libertar o Orçamento Geral do Estado dos encargos inerentes a um serviço público de rádio e televisão. Contudo, esta proposta surge como a que melhor responde aos vários interesses em jogo. Em primeiro lugar, os do Governo. Ao encerrar o canal que mais se aproximava de uma certa ideia de serviço público (ver post Não ao fim da RTP2!) mantendo no ar RTP1 onde persistem programas do calibre de um O preço Certo em Euros, garante-se a existência de um canal com a audiência necessária para servir de correia de transmissão para a propaganda do Governo e de passerelle para os seus ministros. Por outro lado, a extinção da RTP2, e não a sua privatização, como tinha sido prometido pelo PSD, assegura aos operadores privados atualmente no terreno que tudo se mantem como está na luta pelo mercado publicitário, sem a intromissão de mais um jogador. Desta forma, as tomadas de posição de Balsemão e Pais do Amaral, patrões da SIC e TVI, respetivamente, contra a privatização da RTP não caem em saco roto. Por último, o grupo privado a quem for atribuída a concessão dos canais de rádio e televisão vê canalizadas, diretamente para os seus bolsos, as receitas provenientes da contribuição audiovisual paga pelos portugueses através das faturas da eletricidade e que hoje são fatia importante do financiamento da rádio e televisão públicas. Para além de determinar quem acede, e em que condições, ao tal mercado audiovisual, o Governo ainda garante uma renda fixa ao grupo empresarial que ganhar a concessão. Os consumidores de eletricidades serão chamados a financiar uma empresa privada ao abrigo de um contrato de concessão do serviço público quando existem outras empresas privadas a operar em canal aberto e sem recurso a essas receitas. Tal arranjo é a demonstração plena de como é falsa a formulação segundo a qual o capitalismo significa livre concorrência num mercado sem regras definidas pelo Estado. Ao optar por este expediente, o Governo regula o mercado no sentido de manter intactas as fontes de receita dos atuais operadores privados e restringe a entrada no mercado audiovisual a uma empresa que não fará qualquer investimento em novas infraestruturas e que, afirmou António Borges, terá carta-branca para despedir trabalhadores. Esta opção política mostra-nos um Governo protetor de empresários avessos ao risco e que tudo investem em relações políticas privilegiadas com os partidos do bloco central. Sem qualquer proteção ficam os trabalhadores ameaçados de despedimento e os consumidores de eletricidade, sujeitos a aumentos de monta nas faturas, e agora prováveis financiadores involuntários de empresas privadas ociosas.

segunda-feira, 27 de agosto de 2012

Lisboa Vandalizada

O incêndio no Chiado foi o culminar do consulado do pior presidente de câmara da história de Lisboa. E tendo em conta as aventesmas destruidoras que temos tido desde então, não digo isto de animo leve. Krus abecassis foi o responsável político pela destruição do edificado de finais de XIX e início do século XX (alguns prémios Valmor) do qual ja pouco resta hoje em dia na Avenida da República que até então se contava entre com mais belas avenidas da Europa. Entre essas jóias, desapareceu a casa de uma geração inteira de cinéfilos que era o grandioso Monumental. A grande tragédia urbanística Lisboeta que hoje atinge o seu nadir teve ínicio no mandato deste homem que deu rédea solta para iniciar a destruição do património edificado de Lisboa e a sua substituição por massas de betão. Foi no seu consulado que se ergueram o centro comercial das amoreiras que ainda hoje é uma pústula em qualquer vista de Lisboa,a disparatada reconfiguração do Martim Moniz, o esventramento do largo do Rato, o fecho de várias linhas eléctricas de que ainda hoje podemos ver os fantasmagóricos carris abandonados pela cidade. Este era o homem que presidindo a uma cidade conhecida pela sua luz, pretendia ensombrar-nos com construção em altura. Foi com este homem que se instauro a prática do fachadismo, a destruição do interior de edíficios de valor estético e/ou histórico deixando
apenas a fachada de pé. Os crimes urbanísticos perpetravam-se mesmo após o 25 de Abril e à destruição relativamente rápida, brutal e politicamente motivada da Alta de Coimbra segue-se em tempo de "democracia" a agonia de uma capital entregue à especulação imobiliária e à corrupção das edilidades dos três partidos responsáveis pela actual hora de desespero nacional.
Mas podemos culpar Krus Abecassis do incêndio do Chiado? O amor deste homem pelo betão era tal que decidira então juncar a Rua do Carmo de volumosos canteiros de betão tornando impossível a circulação dos carros de bombeiro... Corrupção e imbecilidade. Assim se destrói uma cidade, assim se destrói uma nação.
 
 

sábado, 25 de agosto de 2012

Não ao fim da RTP2!

Porque houve um tempo em que a RTP2 me deu cinema clássico americano e cinema não inglês, eu que não tinha acesso a cinematecas ou cineclubes, porque a par dos bons professores de História que tive, a minha paixão pelo passado era alimentada todos os sábados com o Lugar da História, porque o Acontece me dava diariamente um gosto da(s) cultura(s) de que eu sonhava um dia vir a saborear mais plenamente, porque ainda hoje apesar da óbvia diminuição de qualidade instilada por outro ministro de outro governo PSD (Morais Sarmento) A rtp2 continuava com a ficção de qualidade importada que despareceu da rtp1 e as séries documentais e as conversas fascinantes do Camara Clara a cumprir tanto quanto possivel a missão de serviço público, porque eu esperava que um dia os profissionais da rtp2 tivessem mais e melhores meios (os desperdiçados em concursos e pimbalhadas na rtp1), porque este é mais um crime de lesa-cultura de uma classe política inculta e filistina, A RTP2 NÃO PODE FECHAR!A RTP2 É PATRIMÓNIO PORTUGUÊS!
A alternativa ao sorvedouro de centenas de milhões não era acabar com o que havia de serviço publico de televisão. Era sim a aplicação efectiva desse conceito de serviço público tambem à RTP1. O orçamento da RTP2 era apenas uma ínfima parte dos proverbiais 400 milhões de buraco financeiro da rtp. Mas era de esperar outra decisão do homem que "norteia a sua vida pela busca incessante do conhecimento permanente"? OH RELVAS VAI ESTUDAR!