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quinta-feira, 29 de novembro de 2012

SOMOS NÓS, SOMOS NÓS, A ESTIVA NA EUROPA SOMOS NÓS!

Hoje houve uma manifestação Internacional de Estivadores em Lisboa, que contou com a presença de companheiros de Chipre, Dinamarca, Espanha, França, Bélgica e Suécia.
Foi uma manif sempre animada com muitas palavras de ordem originais e sessões de ruidosa pirotecnia. Os movimentos sociais Plataforma 15 de Outubro e MSE prestaram o seu apoio com a sua presença e as suas faixas.
A Manif foi 100% pacífica.
A polícia esteve discreta.
Esta manif veio provar coisas muito importantes:
- É possível os vários sectores unirem-se enquanto trabalhadores, ou seja, estivadores ou outros e movimentos sociais, igualmente compostos por trabalhadores. E é possível fazê-lo a nível internacional, como ficou claro.
- Os estivadores, que tantos tentaram conotar com a violência (os avisos do dia anterior aos comerciantes de São Bento por exemplo...) deram uma grande lição de civismo e organização, que merece os mais rasgados elogios.
- Os movimentos estiveram presentes e não houve nem provocações, nem desacatos, nem violência.
- Houve microfone para dar voz a quem quis falar em vez de um discurso monocórdico.
Nunca foi tão fundamental falar em luta de trabalhadores dado os ataques mortais levados a cabo por este governo aos direitos fundamentais dos trabalhadores.
O mesmo se pode dizer dos direitos dos cidadãos enquanto tal.
E esta luta pode e deve ser coordenada entre países.
"Não nos calaremos" é, talvez, a mais animadora das mensagens que fica para todos nós. As sucessivas tentativas de intimidação da parte do poder sairão frustradas.
"O povo unido jamais será vencido" e de facto a solidariedade ficou patente hoje entre colegas da estiva portugueses e estrangeiros e dá um alento especial.
Força estivadores!!

domingo, 18 de novembro de 2012

14 de Novembro

Não esquecerei os gritos de uma mulher ali ao lado cujo rosto nunca vi
porque tinha o rosto coberto a espera de mais pancadas
Não esquecerei a certeza ao correr de que nos esmagaríamos uns aos outros,
Não esquecerei os 2 metros do fosso e a escolha entre partir as pernas
e partirem me a cabeça,
Não esquecerei o som dos corpos a cair, nem a visão de gente a cair de costas,
Não esquecerei o ódio no olhar e nas palavras do polícia que me
agrediu e o sabor do meu próprio sangue,
Não esquecerei a raiva de ver gente inocente prostrada pela violência
dos bastões,como se a violência dos dias de austeridade não fosse
suficiente
Não esquecerei a angústia dos camaradas desaparecidos, o imaginar
sortes piores que uma cabeça ferida
Não esquecerei a fuga pelas ruas e o receio que um uniforme dobrasse a esquina,
Não esquecerei as histórias vindas de Monsanto, do Calvário, o medo de
um iminente regresso ao passado

Nem quero esquecer...
E porque só não é livre, quem não continuar a lutar
Voltarei a São Bento.

quinta-feira, 15 de novembro de 2012

A Carga...

Relativamente a ontem há várias considerações a serem feitas, esclarecimentos e relatos do que se passou e acusações sobre o que não se passou.

1 – Ontem São Bento estiveram largos milhares de pessoas, enchiam desde a Avenida Dom Carlos I até à Fundação Mário soares, bastante mais do que as últimas duas manifestações em frente ao parlamento, provindo de 3 manifestações que se tornaram uma só apartir do Rossio
2 – A manifestação de movimentos sociais e estivadores (Plataforma 15 de Outubro, Movimento sem emprego, MCD e M12M) levou uma boa quantidade de pessoas desde o cais o sodré até ao Rossio e daí para S. Bento. Ao mesmo tempo juntou-se outra manifestação do colectivo "Que se lixe a troika" que arrastou mais algumas pessoas. Já na praça estava a CGTP com não mais de 500 pessoas.Após a saída da CGTP de S. Bento, o número de pessoas na praça continuou a ser sensivelmente o mesmo.
3 – Cerca de 30 minutos depois da CGTP abandonar oficialmente a manifestação foram derrubadas as grades e começou uma chuva de pedras, garrafas, balões com tinta, petardos e inúmeras outras coisas. Este arremesso de objectos à polícia subiu de tom quando a própria polícia agrediu pessoas que procuravam sentar-se pacificamente nas escadas, tendo várias pessoas sido pontapeadas pela polícia quando pediam a outros manifestantes que deixassem de atirar pedras. Várias pessoas procuraram demover outras tantas, tendo-se incluindo verificado algumas pequenas escaramuças entre manifestantes.
4 – Os presentes eram homens e mulheres, crianças, jovens e velhos, activistas e gente sem filiação política clara. Extremamente heterogéno, como têm sido todas estas mobilizações.
5 – É ridículo considerar que é dado um aviso de carga quando um polícia fala a um megafone numa praça onde largos milhares de pessoas gritavam palavras de ordem. A ter sido dado a tal ordem de evacuação doi dada com o propósito de não ser audível.
6 – Contrariamente a outras ocasiões a polícia mostrou desde o início uma enorme hostilidade em relação aos manifestantes – ao contrário do ar impávido e sereno de outras ocasiões desta vez insultaram pessoas, provocaram manifestantes, agrediram outros apenas por bravata – tudo isto antes das cargas
7 – A carga foi o que se viu: espancou dezenas de pessoas que nunca na vida atiraram uma flor a um polícia, agrediu brutalmente largos milhares de "meia-dúzia" de profissionais da desordem.
8 – Relativamente aos media é  a pior cobertura de uma manifestação de sempre, vendo os directos de ontem não há uma única afirmação que não corresponda a propaganda governamental e ignorância pura. A facilidade com que se repete a versão da polícia é assustadora e preocupante.
 9 -  Segue aqui um testemnho de um dos detidos ILEGALMENTE no antigo tribunal da Boa -Hora: "

Testemunho de João Pinheiro (um dos detidos em Monsanto):
Fui um dos Detidos no Tribunal da Boa-Hora em Monsanto. Não participei em nenhum acto de Violência, não atirei pedras. Apenas fugi de Polícias de Choque que espancavam toda e qualquer pessoa, mesmo que tentasse acalmar o ânimos, como vi.
Os Detidos no Cais do Sodré foram arbitrários, entre um grande grupo de pessoas que fugia pela 24 de Julho, das balas de borracha que eram disparadas contra o manifestantes, ao contrário do que se anda ai a espalhar (uma das outras detidas foi atingida por uma).
Fomos levados, algemados e revistados por três vezes, para a Boa-Hora sem nos ser dada informação para onde íamos ou do que éramos acusados. Nenhum dos Polícias tinha identificação.
Fomos postos em grupos de 5 em cada cela e deixados, descalços, durante 3 horas, sem qualquer informação, mais um vez.
Por fim, fomos levados a assinar um papel em que nos identificávamos e que não continha qualquer acusação, sendo depois mandados para fora, pela polícia sem que tivéssemos usufruído do direito ao telefonema ou a falar com um advogado.
Foi esta a experiência minha e de mais cerca de 20 manifestantes Pacíficos, que durante o tempo na cela, cantaram em uníssono, a Internacional."

Não nos calaremos! Continuaremos todos na rua até o governo cair! Passos e portas para a Rua!

Como se branqueia uma carga policial




Tem razão quem defende que um conjunto de imagens pode ter várias interpretações dependendo do prisma do observador. Os graves incidentes que pontuaram o final da manifestação frente ao palácio de S. Bento, em dia da greve geral, nos quais a PSP varreu centenas de manifestantes das ruas a golpes de bastão, foram vistos como uma resposta «proporcional» da autoridade. Aliás, esses manifestantes, onde se incluíam crianças, idosos e até pessoas em cadeiras de rodas, foram promovidos à categoria de «grupos organizados». A atuação da polícia, cruamente documentada pelas imagens aqui postadas, foi denominada de «ação tática para mitigar a violência» (repare-se, aqui o termo violência já merece ser aplicado) gerada pelas pedras arremessadas contra a polícia. O autor desta leitura é o porta-voz do Observatório de Segurança, Criminalidade Organizada e Terrorismo e chama-se Felipe Pathé Duarte. De resto, o que se passou no final da tarde desta quarta poderá ser o aperitivo do que aí vem em termos do intensificar da repressão à contestação social. O ministro da Administração Interna já atribuiu a ocorrência a «meia dúzia de profissionais da desordem e da provocação». Ler aqui e ouvir aqui clicando no noticiário das 22 horas.

Editado a 15 de Novembro de 2012 às 13:02

domingo, 4 de novembro de 2012

SAI DO SOFÁ E LUTA !!

O Inverno está a chegar triste, frio e chuvoso... este ano, não temos Natal, tal como já não tivemos férias. O governo cortou os subsídios e ceifou cruelmente as esperanças que ainda havia às réstias de alguém ter uma vida decente.
O aumento do IRS é do dos maiores ataques jamais vistos à classe trabalhadora. Não se vê que toque nos grandes do costume, os banqueiros continuam a escapar incólumes à crise... Por acaso não... têm enriquecido brutalmente à custa do povo. Os cortes previstos para todas as áreas somam e seguem num atentado despudorado aos mais pobres. A saúde enfrenta uma situação em que se confirma haver racionamento de medicamentos, em especial contra o cancro, encerramento de unidades de saúde e médicos exaustos. Na Educação, os alunos amontoam-se em salas onde os poucos professores que escaparam à fúria da dupla Gaspar/Crato ainda leccionam. O governo baixou as pensões dos reformados, mas aumentou o custo de vida até ao nível do impensável. A fome é uma realidade que aflige diariamente milhares de pessoas. Há um número de desempregados inaceitável.
Quem passeia um pouco pelas ruas em Lisboa durante a noite, percebe que os sem-abrigo duplicaram. Não são marginais, são gente que se viu sem emprego e que teve de entregar a sua casa depois de anos de sacrifício a pagá-la.
A fila à porta dos vários locais onde se distribui a famigerada sopa dos pobres cresce a cada dia. Lá encontramos velhos, mulheres, crianças, jovens, tudo... envergonhadamente recolhendo um pouco de consolo e alimento.
NÓS TODOS devíamos revoltarmo-nos contra esta situação, tomar nas nossas mãos a coragem de dizer Basta!
A descrição é feia, a realidade medonha. Porque é que não agimos??
Se o povo não se unir, será esmagado!
Vem lutar pelo teu futuro pois é disso que se fala! Começa a mudar, sai do sofá, junta-te aos movimentos da sociedade, FAZ GREVE DIA 14 E PARTICIPA EM TODOS OS PROTESTOS DO MUNDO!! GLOBALIZA A ACÇÃO!

sexta-feira, 12 de outubro de 2012

Será que se pira?



Agora que se sabe mais um pouco da "extorsão" feita pelo governo liderado por Passos Coelho e Paulo Portas, que nada mais é  que um roubo(Podem acusar-me de instigar a violência...não é maior violência que aquela que este governo aplica). Fica a dúvida no ar...será que Nogueira Leite vai cumprir a palavra e se vai pirar?


segunda-feira, 8 de outubro de 2012

Vamos dizer alto e bom som..."Este não é o nosso orçamento!"



 Dia 15 de Setembro tivemos mais de meio milhão de pessoas na rua que mostraram o cartão vermelho ao governo, o governo não caiu mas abanou. O abano foi de tal ordem que até se pôs a hipótese de o CDS sair do governo..deixando o PSD sozinho no governo. Esta solução não aconteceu muito devido ao Conselho de Estado e à água na fervura metida por Cavaco Silva. Mas o governo continuou no seu caminho de bulldozer com novas medidas. Como o governo se fez de surdo só nos resta gritar mais alto e no dia 15..dia de entrega do Orçamento ir dizer alto e bom som ..."Parlamento este não é o nosso Orçamento!"

sexta-feira, 28 de setembro de 2012

Dez razões para inundar o Terreiro do Paço


1.º - Cortes nos vencimentos dos funcionários públicos que aufiram salários superiores a 1500 euros em 2011 e 2012. Supressão dos subsídios de férias e de Natal em 2012.

-2.º  Imposição em 2011 de uma sobretaxa do IRS aos trabalhadores do setor privado correspondente a metade do subsídio de Natal.

3.º - Corte dos 13º e 14º meses aos reformados em 2012.

4.º - Cortes generalizados na saúde que atingiram as ajudas ao transporte de doentes, os medicamentos, os orçamentos dos hospitais, o preço dos exames convencionados... Aumento substancial do valor das taxas moderadoras.

5-º - A conjugação de várias decisões, como a criação dos mega agrupamentos e o aumento do número de alunos por turma, está a lançar no desemprego milhares de professores. Estima-se que o total de docentes  contratados sem trabalho atinja os 40 mil.

6.º - Na área dos transportes, verificaram-se aumentos consideráveis nos preços dos bilhetes e passes – 20% - em 2011 e 2012. Há ainda a acrescentar as mexidas nos escalões do IVA com um sublinhado para a subida do IVA para a taxa máxima no gás, na eletricidade e na restauração.

7-º - Alterações à legislação laboral de que se destacam a redução do número de feriados, a criação de bancos de horas e a redução em 50% do valor pago pelas horas extraordinárias. Estas mudanças incluem medidas que tornam os despedimentos mais fáceis e baixam o valor das indemnizações compensatórias.

8.º - Segundo o Eurostat, a taxa de desemprego em Portugal atingiu os 15,7% em junho. No ano passado e no mesmo mês, a taxa de desemprego era de 12,2%. Recorde-se que foi em junho de 2012 que se realizaram as eleições legislativas antecipadas que conduziram o PSD e o CDS ao poder, escassas semanas após a assinatura do Memorando de Entendimento com a troika.

9.º - Apesar de todas as medidas de austeridade já executadas, em curso e planeadas, a meta do défice orçamental a 4,5% imposta para 2012 não será cumprida. Em contrapartida, o Eurostat revela que a dívida pública alcançou os 111,7% do PIB nos primeiros três meses deste ano quando, no primeiro trimestre de 2011, se fixou nos 94,5% do PIB.

10.º - O mar de descontentamento que varreu o país a 15 de setembro demonstrou como a força popular impôs a Passos Coelho o recuo na Taxa Social Única (TSU) e fez tremer a coligação PSD/CDS. Só a mobilização continuada do povo nas ruas poderá abafar o mais que provável contra-ataque do Governo depois da derrota da TSU, forçar a sua demissão e decretar o fim das políticas da troika. Este sábado, vamos inundar o Terreiro do Paço para acertar o passo ao Passos.

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terça-feira, 25 de setembro de 2012

Moção de Censura

Nos tempos de Cavaco Silva (governo PSD)  deu-se o desmantelamento progressivo da Indústria, pescas e agricultura, o governo de Guterres (governo PS) protagonizou uma fuga quando viu o barco a perigar, incluindo Durão Barroso (governo PSD/CDS-PP) que quando viu que a coisa estava mesmo a complicada fugiu para o "tacho" de Bruxelas, com Sócrates(governo PS) vimos a escalada da dívida soberana e agora a Passos Coelho (governo PSD/CDS-PP) que procura acabar o trabalho dos seus antecessores e afundar o país ainda mais, acabando com que restava do tecido produtivo. Estes governos que nos têm levado à progressiva recessão  e pobreza têm uma marca em comum, são dos mesmos partidos que nos têm governado (ou desgovernado) há 38 anos. Estamos perto do final de Setembro de 2012, e temos assistido ao colossal empobrecimento do País. Estes governos (PS/PSD/CDS-PP) têm conduzido um país ao abismo em dívidas e fomentado uma pobreza colectiva que já não se via há muitas décadas. Mas esta pobreza colectiva só é para os que menos têm, pois se formos a observar as fortunas dos mais ricos de Portugal...essas têm aumentado sempre todos os anos. Esta Moção de Censura que lanço é direccionada a estes 3 partidos que referi anteriormente  por terem acabado com as possibilidades produtivas do país, mas também é extensível aos partidos à esquerda do PS que tendo a possibilidade de se apresentarem como uma verdadeira alternativa ao rotativismo ao "centro" (centro-direita) se recusam a apresentar como candidatos ao governo. Preferem estar na oposição onde criticam e apresentam algumas alternativas, mas sempre em separado, do que proporem algo comum para um futuro governo de esquerda. Sei que este tema do governo de esquerda em sido proposto inclusive pelo Bloco Esquerda, com o tão propagado por  Francisco Louçã. A isto algo simples a dizer,  ter um governo de esquerda quando se quer que esse governo inclua o PS é impossível. Um verdadeiro "governo de esquerda" seria com PCP, BE, MAS, MRPP; POUS e todos os independentes e até filiados do PS que sejam de esquerda. Porque querer um governo de esquerda com quem tem sucessivamente levado o país para a cova é no mínimo discutível. Por isto tudo esta Moção de Censura é direccionada aos partidos do "arco da governação" e aos partidos parlamentares que falam da unidade da boca para fora mas na hora da verdade decidem ir cada um na sua bicicleta! Como se pode ver por estas fantásticas declarações...

sexta-feira, 21 de setembro de 2012

Fazer história

Vivemos de certo um tempo que por alguns pode ser considerado como turbulento, como complicado, como várias coisas. Eu prefiro classificar o que estamos a viver como uma altura histórica! É histórica porque o povo como um todo começa a perceber que pode tomar o rumo da história nas suas mãos e almejar uma vida digna. No sábado centenas de milhares de pessoas tomaram uma posição e saíram das suas casas para mostrar ao governo liderado por Passos Coelho e Paulo Portas que esta situação é insustentável e que a única saída passa por dizer como se ouviu ecoar pelas ruas "Passos Ladrão, o teu lugar é na prisão"  ou "Passos sai daqui, leva o Portas, o Relvas e o FMI". É a altura deste governo perceber que não serão dadas mais oportunidades a quem sistematicamente rouba o povo para dar a grandes interesses, sejam eles interesses Alemães, Franceses ou de nacionalidade desconhecida ("mercados"). Por isso apelo a que toda a gente esteja nas concentrações hoje às 18h na altura do Conselho de Estado. E que a partir dessas concentrações pelo "Conselho de Estado" se comece a desenhar um verdadeiro "Conselho Popular de Estado" onde cada um terá o que dizer sobre o futuro e o tome em seus braços para não mais ter a sua vida nas mãos de tiranos! Este é o desafio que deixo...tomemos o futuro em nossas mãos!!

Concentração: Reunião do Conselho de Estado

quinta-feira, 20 de setembro de 2012

Por um Conselho de Estado verdadeiramente popular


As gigantescas manifestações que inundaram as ruas de Portugal este sábado constituíram um ruidoso clamor contra as medidas de austeridade, impostas pela troika e zelosamente executadas pelo Governo PSD/CDS, de que o anúncio das alterações à Taxa Social Única (TSU) foi o dramático corolário. Este esmagador pronunciamento popular teve o mérito de apanhar em contrapé agentes políticos de vários setores, colocando-os numa postura defensiva e a reboque da torrente da contestação. São raros aqueles que apostam uma ficha que seja na sobrevivência da coligação. A questão agora parece ser como será o dia seguinte à queda do Governo, com Mário Soares, esse especialista na arte bem portuguesa de dar uma no cravo e outra na ferradura, a dar o mote. Diz o ex-primeiro ministro e ex-presidente da República ser possível a nomeação, por Cavaco Silva, de um novo primeiro-ministro sem convocar eleições antecipadas. Tal hipótese evoca a memória dos Governos de iniciativa presidencial desenhados por Ramalho Eanes nos anos 70 ou, mais recentemente, os Governos liderados por tecnocratas na Grécia e na Itália. Mas, acima de tudo, esta hipótese, ou outras que têm sido lançadas nos media, servem somente os desígnios da elite politica e económica de mudar algo para que tudo fique na mesma. Ora sucede que vai chegando o momento de separar as águas entre quem está contra a troika e quem apoia as suas medidas, por crença ideológica ou por beneficiar do esbulho à classe trabalhadora por elas engendrada. Devemos sair às ruas, não apenas para dizer não à TSU, mas para exigir a demissão do Governo, dizer basta às medidas de austeridade e repudiar o memorando de entendimento assinado entre Portugal, a Comissão Europeia, o BCE e o FMI. Esta sexta-feira, a partir das 18 horas, estaremos em Belém, atentos às manobras encetadas num Conselho de Estado refém de interesses obscuros. Esta sexta-feira, juntos, formaremos um Conselho de Estado alternativo, verdadeiramente popular.

domingo, 16 de setembro de 2012

Quando parar?



Ontem foi um dia histórico, milhares de pessoas saíram à rua por todo o país numa clara demonstração que o Povo não quer esta receita, não quer este remédio que nos querem enfiar goela abaixo. Ontem foi o 1º grito de revolta contra quem diariamente nos rouba e nos tira qualquer possibilidade de viver. Quem tem filhos já não os consegue alimentar, quem não tem sonha em vir a tê-los mas sabe que não o vai conseguir, e muito mais gente sonha apenas em ter uma vida digna onde não tenha de escolher entre ter uma casa um tecto para dormir ou pagar a próxima refeição. Por isto não podemos parar! O Contra-Reaccionário esteve ontem mais uma vez nesta luta incansavelmente e assim continuará. Esperando que todos se juntem em próximas manifestações e iniciativas até termos uma vida digna de ser vivida! 












sábado, 15 de setembro de 2012

É a hora!!

Nem rei nem lei, nem paz nem guerra,
Define com perfil e ser
Este fulgor baço da terra
Que é Portugal a entristecer —
Brilho sem luz e sem arder,
Como o que o fogo-fátuo encerra.
Ninguém sabe que coisa quer.
Ninguém conhece que alma tem,
Nem o que é mal nem o que é bem.
(Que ânsia distante perto chora?)
Tudo é incerto e derradeiro.
Tudo é disperso, nada é inteiro.
Ó Portugal, hoje és nevoeiro... 
 É a Hora!


Esta é a hora em que somos chamados como na "Mensagem" de Fernando Pessoa a grandes feitos! Hoje todos temos um dever! Ir à luta pelo que é nosso, ir pelos nossos filhos (existentes ou hipotéticos no futuro), por todos! Praça José Fontana (Picoas) às 17h, ou numa cidade perto de si!

terça-feira, 11 de setembro de 2012

Contas feitas...Ganda Gamanço!!!

… E o 1º ministro anunciou mais uma quantidade de medidas de austeridade, entre as quais está um autêntico gamanço aos salários de todos os trabalhadores (público e privado), e estas medidas não vão ficar de certo por aqui. Com este nível de violência sobre quem trabalha, sobre quem tenta sobreviver com pouco e sobre quem não tem hipótese de fugir (sim!, a corrupção em Portugal não se encontra nos descontos para a segurança social e nos ordenados de quem trabalha o dia todo por um mísero salário!...). Posto isto temos em baixo dois quadro que tentam explicar o nível a que o governo liderado por Passos Coelho e Paulo Portas nos irão aos bolsos. E digo “nos irão ao bolso” porque desta vez é a todos, público e privado, com isto já não há desculpas a dizer que o público é que é cortado e o privado não..ou outras semelhantes. Com estas medidas resta ao povo trabalhador unir-se e em uníssono mandar este governo para a rua, dizer-lhes que estão a fazer um péssimo trabalho e que não lhes daremos mais oportunidades de nos roubarem.
Por isso dia 15 de Setembro às 17h estaremos em todo o país a dizer BASTA! Não queremos ser roubados e explorados! Quem fez a dívida que a pague!
Segue em baixo 2 quadro explicativos:



Trabalhadores do Público:



Remuneração liquida
Perda Publico 2013 (perda mensal em relação a 2011)
Remuneração após medidas
Perda Anual
500
90
410
1260
750
183,77
566,23
2139
1000
280
720
3640
1500
495
1005
6435



Trabalhadores do Privado:



Remuneração liquida
Perda Privado 2013 (perda mensal em relação a 2011)
Remuneração após medidas
Perda Anual
500
35
465
490
750
52,5
697,5
735
1000
70
930
980
1500
105
1395
1470

domingo, 9 de setembro de 2012

É tempo de ouvir a voz da rua!


«O que está a mudar Portugal é que se está a dar uma enorme deslocação de recursos entre classes e grupos sociais,uns ganhando, outros perdendo». A frase não pertence a nenhum perigoso activista de extrema-esquerda mas foi escrita por Pacheco Pereira, arauto do liberalismo que reforçou a sua notoriedade após a acérrima defesa da invasão do Iraque pelos EUA. A análise do militante social-democrata, sistematicamente validada pela acção do Governo Coelho/Portas, conheceu mais uma dramática confirmação esta sexta-feira aquando da comunicação ao país de mais austeridade. O Governo dirige agora o seu ataque aos trabalhadores do sector privado, acenando com o corte de um salário e mantendo-se a supressão de dois salários para funcionários públicos e pensionistas. Passos Coelho “esqueceu-se” de esclarecer qual o tempo de vigência das decisões mas fonte do Governo admitiu, sob anonimato, que elas terão carácter permanente. As medidas dirigidas aos trabalhadores do sector privado, materializadas através de um aumento da contribuição dos empregados (de 11 para 18%.) e a descida das contribuições devidas pelas empresas (23,75% para 18%) são justificadas pelo Governo com a necessidade de estimular as empresas à criação de empregos. Só uma crença cega na ideologia e nos ditames da troika pode explicar a escolha deste caminho, condenado ao fracasso tendo em conta a mais que previsível retracção do consumo e da actividade económica. Ou então, o primeiro-ministro agita hipocritamente a bandeira do combate ao desemprego, sempre à custa dos trabalhadores ainda empregados, ao mesmo tempo que cumpre, de forma eloquente, o enunciado de Pacheco Pereira. Trata-se de mais um rude golpe nos rendimentos de uma grande maioria dos assalariados portugueses, cujos contornos são conhecidos no momento em que se torna evidente o falhanço do Governo no cumprimento dos 4,5% de défice orçamental previstos para 2012, meta em nome da qual foi aumentado o IVA e cortados os 13º e o 14º meses à função pública. Por outro lado, começa a ruir o consenso fabricado nos media em torno da alegada inevitabilidade da austeridade (ver aqui, aqui e aqui). Por tudo isto é chegado o tempo deouvir a voz da rua!

sábado, 8 de setembro de 2012

Recuso-me a aceitar

Recuso-me a aceitar que um povo com a nossa História, velha de quase mil anos, seja um povo amorfo e "manso"... até porque seria um contra-senso. Mostrem do que são capazes, gente da minha terra! em luta contra a miséria a que nos querem obrigar, sem trabalho, sem salários, sem vida! Sacrifícios pelo futuro ?? Qual futuro, se nem crianças haverá pois ninguém se atreverá a tê-las para as forçar a uma vida de fome? Mais vale que se orgulhem da nossa luta, que serão obrigadas a continuar, que baixem os olhos ante a nossa cobardia ao vê-los sem pão e isso pesar na nossa consciência! Que lhes diremos, às poucas que ainda nascerem? Que nos acomodámos à pobreza e à fome? Que aceitámos retroceder e ceder à escravatura no seu rosto modernizado? Que entregámos o futuro delas às corporações multinacionais? Que nos resignamos a viver sem sistema de saúde, reduzindo a esperança de vida? Que seremos ignorantes por o ensino ser só para os ricos e perpetuar elites? Que ser pobre é uma espécie de herança funesta que consentimos em deixar-lhes? Nesse caso teríamos de aceitar também que nos chamassem cobardes!
As medidas anunciadas estão a gerar mais que indignação. Vão desaguar numa catástrofe social que vai fazer perigar a vida e o futuro. Ficamos quietos? Cedemos?
Como não acredito nisto, acredito em quem somos e na luta dos trabalhadores de todos os dias e em todo o mundo, incito todos a lançarem-se nesta batalha de peito aberto e saírem à rua sempre! Onde todas as batalhas foram ganhas pelo e para o povo!

Dia 15 sai à rua! Praça José Fontana 17h!

segunda-feira, 3 de setembro de 2012

Tiro no liro, tiro no ló


Em 1985 José Mário Branco edita o tema Tiro no liro, dedicado a Otelo Saraiva de Carvalho, onde ouvem-se os versos «Quem dá o tiro no liro vai pró chilindró /Quem dá o tiro no ló anda de popó». Lembrei-me desta canção depois de ter escutado as palavras da diretora do Departamento Central de Investigação e Ação Penal (DCIAP), Cândida Almeida, proferidas este sábado na Universidade de Verão do PSD, segundo as quais «os nossos políticos não são corruptos». Em 1984, Cândida Almeida estava colocada no Tribunal de Instrução Criminal e teve a seu cargo o processo das FP-25 de Abril, que conduziria à condenação do Capitão de Abril por crime de associação terrorista. Lembrei-me também que, mais recentemente, a magistrada do Ministério Público teve ação de revelo no processo Freeport ao liderar a investigação que terminou na absolvição dos arguidos levados a julgamento, uma decisão que deixou na penumbra o papel desempenhado por José Sócrates no licenciamento da obra. De resto, a sombra do então ministro do Ambiente pairou sobre a sala de audiências tendo o seu nome sido referido em vários testemunhos, a ponto de o Tribunal do Barreiro ter solicitado ao Ministério Público que fossem investigados indícios de corrupção naquele organismo governamental. Uma tomada de posição que pôs em causa o trabalho desenvolvido pela magistrada do DCIAP e que, ao que parece, muito a terá irritado. Por tudo isto, as declarações deste fim-de-semana espantam pelo seu tom categórico, surgindo aos ouvidos de quem as ouve como uma absolvição a priori de toda a classe política. No fundo, esta frase foi dita por alguém que personifica as contradições do nosso sistema judicial. Em Portugal parece ser mais fácil levar a julgamento assaltantes de galinheiros ou acusados de crimes de sangue do que políticos envolvidos em crimes de colarinho branco, uma demonstração do carácter de classe – burguês, para sermos mais claros – da justiça portuguesa. Uma justiça que se diz cega mas onde os piores cegos são aqueles que não querem ver. 


quarta-feira, 29 de agosto de 2012

O fim da RTP2: anatomia de um golpe em preparação

No final da semana passada o país ficou a conhecer a solução milagrosa engendrada pelo Governo para o dossiê RTP. A intenção de fechar a RTP2 e de concessionar todos os outros canais de rádio e de televisão a uma entidade privada, anunciada na passada quinta-feira com estrépito por António Borges num canal da concorrência, parece constituir o plano predileto de Relvas &. Cia para, na ótica do Governo, libertar o Orçamento Geral do Estado dos encargos inerentes a um serviço público de rádio e televisão. Contudo, esta proposta surge como a que melhor responde aos vários interesses em jogo. Em primeiro lugar, os do Governo. Ao encerrar o canal que mais se aproximava de uma certa ideia de serviço público (ver post Não ao fim da RTP2!) mantendo no ar RTP1 onde persistem programas do calibre de um O preço Certo em Euros, garante-se a existência de um canal com a audiência necessária para servir de correia de transmissão para a propaganda do Governo e de passerelle para os seus ministros. Por outro lado, a extinção da RTP2, e não a sua privatização, como tinha sido prometido pelo PSD, assegura aos operadores privados atualmente no terreno que tudo se mantem como está na luta pelo mercado publicitário, sem a intromissão de mais um jogador. Desta forma, as tomadas de posição de Balsemão e Pais do Amaral, patrões da SIC e TVI, respetivamente, contra a privatização da RTP não caem em saco roto. Por último, o grupo privado a quem for atribuída a concessão dos canais de rádio e televisão vê canalizadas, diretamente para os seus bolsos, as receitas provenientes da contribuição audiovisual paga pelos portugueses através das faturas da eletricidade e que hoje são fatia importante do financiamento da rádio e televisão públicas. Para além de determinar quem acede, e em que condições, ao tal mercado audiovisual, o Governo ainda garante uma renda fixa ao grupo empresarial que ganhar a concessão. Os consumidores de eletricidades serão chamados a financiar uma empresa privada ao abrigo de um contrato de concessão do serviço público quando existem outras empresas privadas a operar em canal aberto e sem recurso a essas receitas. Tal arranjo é a demonstração plena de como é falsa a formulação segundo a qual o capitalismo significa livre concorrência num mercado sem regras definidas pelo Estado. Ao optar por este expediente, o Governo regula o mercado no sentido de manter intactas as fontes de receita dos atuais operadores privados e restringe a entrada no mercado audiovisual a uma empresa que não fará qualquer investimento em novas infraestruturas e que, afirmou António Borges, terá carta-branca para despedir trabalhadores. Esta opção política mostra-nos um Governo protetor de empresários avessos ao risco e que tudo investem em relações políticas privilegiadas com os partidos do bloco central. Sem qualquer proteção ficam os trabalhadores ameaçados de despedimento e os consumidores de eletricidade, sujeitos a aumentos de monta nas faturas, e agora prováveis financiadores involuntários de empresas privadas ociosas.

segunda-feira, 27 de agosto de 2012

Lisboa Vandalizada

O incêndio no Chiado foi o culminar do consulado do pior presidente de câmara da história de Lisboa. E tendo em conta as aventesmas destruidoras que temos tido desde então, não digo isto de animo leve. Krus abecassis foi o responsável político pela destruição do edificado de finais de XIX e início do século XX (alguns prémios Valmor) do qual ja pouco resta hoje em dia na Avenida da República que até então se contava entre com mais belas avenidas da Europa. Entre essas jóias, desapareceu a casa de uma geração inteira de cinéfilos que era o grandioso Monumental. A grande tragédia urbanística Lisboeta que hoje atinge o seu nadir teve ínicio no mandato deste homem que deu rédea solta para iniciar a destruição do património edificado de Lisboa e a sua substituição por massas de betão. Foi no seu consulado que se ergueram o centro comercial das amoreiras que ainda hoje é uma pústula em qualquer vista de Lisboa,a disparatada reconfiguração do Martim Moniz, o esventramento do largo do Rato, o fecho de várias linhas eléctricas de que ainda hoje podemos ver os fantasmagóricos carris abandonados pela cidade. Este era o homem que presidindo a uma cidade conhecida pela sua luz, pretendia ensombrar-nos com construção em altura. Foi com este homem que se instauro a prática do fachadismo, a destruição do interior de edíficios de valor estético e/ou histórico deixando
apenas a fachada de pé. Os crimes urbanísticos perpetravam-se mesmo após o 25 de Abril e à destruição relativamente rápida, brutal e politicamente motivada da Alta de Coimbra segue-se em tempo de "democracia" a agonia de uma capital entregue à especulação imobiliária e à corrupção das edilidades dos três partidos responsáveis pela actual hora de desespero nacional.
Mas podemos culpar Krus Abecassis do incêndio do Chiado? O amor deste homem pelo betão era tal que decidira então juncar a Rua do Carmo de volumosos canteiros de betão tornando impossível a circulação dos carros de bombeiro... Corrupção e imbecilidade. Assim se destrói uma cidade, assim se destrói uma nação.
 
 

sábado, 25 de agosto de 2012

Não ao fim da RTP2!

Porque houve um tempo em que a RTP2 me deu cinema clássico americano e cinema não inglês, eu que não tinha acesso a cinematecas ou cineclubes, porque a par dos bons professores de História que tive, a minha paixão pelo passado era alimentada todos os sábados com o Lugar da História, porque o Acontece me dava diariamente um gosto da(s) cultura(s) de que eu sonhava um dia vir a saborear mais plenamente, porque ainda hoje apesar da óbvia diminuição de qualidade instilada por outro ministro de outro governo PSD (Morais Sarmento) A rtp2 continuava com a ficção de qualidade importada que despareceu da rtp1 e as séries documentais e as conversas fascinantes do Camara Clara a cumprir tanto quanto possivel a missão de serviço público, porque eu esperava que um dia os profissionais da rtp2 tivessem mais e melhores meios (os desperdiçados em concursos e pimbalhadas na rtp1), porque este é mais um crime de lesa-cultura de uma classe política inculta e filistina, A RTP2 NÃO PODE FECHAR!A RTP2 É PATRIMÓNIO PORTUGUÊS!
A alternativa ao sorvedouro de centenas de milhões não era acabar com o que havia de serviço publico de televisão. Era sim a aplicação efectiva desse conceito de serviço público tambem à RTP1. O orçamento da RTP2 era apenas uma ínfima parte dos proverbiais 400 milhões de buraco financeiro da rtp. Mas era de esperar outra decisão do homem que "norteia a sua vida pela busca incessante do conhecimento permanente"? OH RELVAS VAI ESTUDAR!

sábado, 21 de julho de 2012

O Branqueamento de um fascista

O regime de que José Hermano Saraiva foi precisamente um dos ministros da educação promoveu um ensino público digno do século XIX e um ensino superior absolutamente anquilosado na área da investigação. Os meus pais mal fizeram a 4ª classe e trabalhavam ainda não contavam dois dígitos de idade. Eventualmente a opção foi partir para França a salto.
A História repete-se hoje como farsa com vários ministros de licenciaturas duvidosas a mandarem a geração com a maior formação académica que este país já teve emigrar. Estes netos de Salazar e Caetano são os que hoje cantam as loas desta figura branqueada por 4 décadas a contar a História de Portugal como ela era ainda ensinada no tempo dos meus pais: pouca substância ou integridade científica e ao contrário do que muitos pensam 20 minutos semanais disto não educam um povo sobre a sua História. Essa educação faz-se nos bancos da escola, nem sempre bem diga-se, não porque os professores de História deste país não são bons (tive um 3 anos no secundário que ditou a minha vocação) mas porque quem faz os currículos escolares nos corredores do poder da 5 de Outubro ostenta ainda muitos dos tiques dos tempos do Sr Saraiva.
Este é o homem que mandou carregar sobre estudantes em protesto ( A carga policial sobre manifestações é um dos crimes dos quais os actuais netos de Salazar também são culpados, da Ponte 25 de Abril à esplanada da Brasileira nada de novo debaixo do sol fascista), mandou prender grevistas de exames, sitiar Coimbra com fardados, integrou compulsivamente estudantes nas forças armadas como castigo pela sua "sediação e desrespeito e insultos ao chefe de Estado". É este o homem que hoje está a ser canonizado pelos netos de um regime que nos quer fazer voltar aos bons velhos tempos da pobreza remediada, dos exames da quarta classe, do desinvestimento na educação pública para os pobrezinhos enquanto que continuam a correr rios de dinheiro para o ensino privado, da obediência cega ao líder, das bastonadas em inocentes, das manifestações que já o são com duas pessoas, do desinvestimento no ensino superior e na investigação académica (30% de cortes este ano na FCT).
Hoje uns querem à força fazer nos cheirar o aroma de santidade de uma figura fascista embora segundo Saraiva, lembrem-se, Salazar não era um fascista. Eu hoje só cheiro a podridão de uma democracia traída e os carrascos são os netos de Salazar. Aqui ao lado, os de Franco espancam e alvejam manifestantes enquanto que a Alemanha pretende ditar as regras na Europa. Voltamos a 1936?

terça-feira, 10 de julho de 2012

Ó malhão, malhão, que vida é a tua?



Nestas últimas semanas temos assistido ao espectáculo Relvas, com pressões jornalísticas, ameaças de divulgação de vida privada, maçonaria e licenciaturas sui generis. A uma licenciatura que já não lhe faltava nada para ser a licenciatura da década (quiçá do século) devido a credenciações e equivalências de credibilidade duvidosa, acrescentou-se outra equivalência que irá decerto causar inveja aos melhores dançarinos...
É isso mesmo..agora a presidência de uma colectividade de ranchos folclóricos dá equivalência a Ciências Políticas...é mesmo caso para dizer "ó malhão, malhão, que vida é a tua?"



domingo, 8 de julho de 2012

"Nós dizemos qual é a alternativa"

No sábado em pleno jantar "comemoração" dos 38 anos da JSD o 1º ministro Pedro Passos Coelho perguntou à oposição quanto é que queria que se corta-se na saúde e na educação. Pois logo no dia seguinte tivemos Jerónimo de Sousa a sugerir uma opção "diferente" da do governo.  E então dizia o secretário-geral do PCP " "Nós dizemos qual é a alternativa: abdiquem, larguem esse pacto de  agressão, rompam com ele, renegoceiem a nossa dívida nos prazos, nos montantes  e nos juros." A questão está mesmo aqui....vamos renegociar e enquanto se renegoceia continuamos a pagar algo que é injusto, que é impagável e que é completamente odioso?
Se vamos continuar a pagar algo que foi contraído em benefício dos banqueiros, do grande patronato e da alta-finança qual é a alternativa? Uma Austeridade mais suave? Vamos usar a esmola conseguida com a renegociação para investir na economia dizem alguns. Esmola sim, porque ninguém pense que a alta-finança vai deixar renegociar o que quer que seja sem tomarmos uma posição de força! Uma posição que diga que quem tem o poder é quem tem a possibilidade de dizer que não pagamos enquanto não melhorarmos o país, não pagamos aquilo que não contraímos, não pagamos enquanto não apurarmos tudo o que foi roubado e enquanto não dermos uma vida melhor a quem realmente merece, o povo! Por isso digo, a alternativa não está em renegociar algo que não contraímos...a alternativa está em derrubar Passos Coelho, suspender o Pagamento da dívida, investir na Saúde como um direito e não como um negócio, investir na Educação tendencialmente gratuita e de qualidade para todos e não apenas para os filhos de pais ricos, desenvolver e investir na indústria, nas pescas, na agricultura, todos os sectores que geram emprego. Em suma, construir uma vida melhor para o povo e para o país, que deixe de viver em estado de escravidão e subserviência e passe a desenvolver-se material e humanamente!

terça-feira, 3 de julho de 2012

E afinal porque é que lutamos?

Eu cresci a ouvir histórias acerca dos tempos da ditadura, acerca daqueles que se sacrificaram para que hoje possamos viver em liberdade, a celebrar o 25 de Abril e o 1º de Maio. Eu cresci a ouvir os meus pais a exaltarem os direitos que nessa altura foram conquistados e que lhes possibilitaram ter a vida que tem hoje. Eu cresci com a crença de que eu era livre de tomar opções acerca da minha própria vida. Eu cresci com a crença que se eu estudasse seria não apenas alguém na vida, mas o “alguém” que eu escolhera ser. Eu cresci com a crença de que se eu acreditasse e lutasse poderia efectivamente contribuir para uma sociedade mais justa.

Hoje tenho 29 anos e desde há algum tempo que me tenho vindo a confrontar com a desilusão, com a constatação de que tudo isso não passava de um sonho pueril. Primeiro tornei-me céptica, depois tornei-me cínica. Deixei de acreditar e perguntei-me porquê. Concluí, então, que a questão não era: «porque não acredito?» mas sim «acreditar em quê?».

Conformei-me com o facto de que vivíamos na tal “era pós-ideológica” de que hoje tanto se fala e sucumbi à alienação.

No dia 12 de Março deste ano aterrei em Portugal, depois de uma estadia de nove meses nos Estados Unidos, e deparei-me com uma grande manifestação. Apercebi-me do descontentamento das massas, da evidência de que estávamos todos num estado de ruptura. Mas ruptura de quê? E o que surgiria dessa ruptura? Falava-se de uma Europa em decadência, de uma crise baseada em créditos e débitos virtuais, de especulação financeira, da bancarrota, mas tudo aquilo que eu continuava a ver era uma população apática, que saiu de casa um dia para manifestar o seu descontentamento mas que não tinha respostas ou alternativas, como um doente que não sabe muito bem quanto tempo terá de vida mas ao qual ainda não foi diagnosticada uma doença concreta e que, portanto, não sabe a que tratamento recorrer.

No espaço alguns meses tudo se alterou. Hoje somos testemunhas, participantes ou não, de grandes manifestações à escala mundial, dos movimentos de ocupação das ruas, da defesa de uma democracia global e participativa em detrimento das democracias nacionais e representativas. E daí surge a questão? Será que durante esse espaço de tempo tudo se clarificou? Será que para além do descontentamento generalizado nós já sabemos aquilo por que estamos a lutar?

Na busca por uma resposta a esta questão, tenho vindo a confrontar-me com toda uma série de artigos, imagens, reportagens acerca deste fenómeno. Um dos factos que considerei mais significativos foi a rapidez do alastramento do movimento de ocupação das ruas, e o seu consequente impacto mediático, nos Estados Unidos da América em relação aos movimentos de contestação europeus. Numa rápida análise a alguns dos cartazes presentes em manifestações americanas e europeias questionei-me se um dos factores chave para essa discrepância residirá na compreensão do problema com o qual a população de ambos se confronta: «I will never pay off MY student loans» ou «I will never pay off MY debt» são frases presentes numa das imensas aglomerações humanas do movimento «Occupy Wall Street» e contrastam com palavras de ordem como «Esta Dívida não é Nossa» ou «Parlamento. Este não é o Nosso orçamento», presentes na pouco mediática concentração de protesto à aprovação do orçamento de Estado no passado dia 10 de Novembro.

Ora, segundo a minha perspectiva, a divergência de pronomes pessoais utilizados nos cartazes de ambas as manifestações são significativos das motivações das multidões presentes nas mesmas.

A crença na responsabilização individual enforma a cultura americana. O Estado não assume qualquer (ou muito pouca) responsabilidade social. Daí que famílias inteiras se encontrem endividadas devido a necessidade de tratamento hospitalar e que muitos estudantes se vejam em situação de pobreza extrema devido aos créditos contraídos para pagar cursos universitários. Assim, a sua luta simplifica-se uma vez que sabem exactamente quem é o seu opositor: a Banca.

Daí que cada um dos manifestantes esteja perante uma luta individual, entre si, o oprimido e a banca, o opressor. A união dos mesmos surge, assim, de um problema individual que é comum.

Na Europa o problema da compreensão da crise em que nos encontramos complexifica-se pela inexistência de um opressor concreto, devido à existência do Estado e da União Europeia enquanto entidades mediadoras desta relação. A relação binária: povo – banca, transforma-se em relação Povo – Estado/União Europeia – Banca. Assim, surge a dúvida: quem é afinal o opressor? É o Estado? É a Banca? É a União Europeia?

Responder a cada uma destas questões é uma tarefa difícil, exige um grande esforço dificilmente tolerado pela preguiça de quem fala em nome de um colectivo e não em nome estritamente individual. Para o resolvermos temos que nos consciencializar que hoje vivemos num mundo global e com uma complexidade que ultrapassa em excesso a esfera do concreto e do palpável. Já não lutamos pela liberdade como no tempo dos nossos pais… ou pelo menos esse tipo de liberdade. Lutamos por outra coisa e é isso que ainda temos que descobrir e definir…

Existe, porém, algo de muito concreto: as tão referidas medidas de austeridade conduzem-nos claramente para o modelo baseado na responsabilização exclusivamente individual, contra o qual os manifestantes americanos se encontram neste momento a revoltar. Será que vamos ter que esperar para sofrer na pele as consequências da relação binária povo-banca?

Uma coisa é certa: nessa altura a relação simplifica-se e aí sairemos todos para a rua. Deixaremos de dizer «esta dívida NÃO é nossa» e seremos obrigados a dizer «Não vou pagar a MINHA dívida»

sexta-feira, 29 de junho de 2012

Entrevista Alexandra Martins (MAS e P15O)

Esta entrevista foi realizada ontem à "rádio zero" onde se aproveita o tempo de antena para tocar em algumas "feridas", nomeadamente, a impunidade face ao ROUBO feito ao País, a falta de acesso à Saúde e Educação, entre outros temas.

quinta-feira, 21 de junho de 2012

A luta do mineiros

De Espanha chegam-nos noticias e imagens impressionantes de confrontos entre os trabalhadores das minas e a polícia. Os trabalhadores estão a exercer uma fortíssima contestação ao governo de Rajoy na defesa dos seus direitos. Toda a solidariedade do Contra- Reaccionário para com os mineiro em luta.



Coragem mineira


Nos últimos tempos ouve-se falar da coragem dos mineiros em Espanha...que nas várias regiões têm resistido ao fecho das minas e ao desemprego. Estes mineiros resistem com o que podem ao exército policial que foi mandado para os derrubar. Nesta resistência não estão sozinhos, têm o apoio das populações locais, que os abrigam quando é necessário e que os apoiam na árdua tarefa de resistência diária contra uma força estatal que tem como objectivos derrubar, prender e eventualmente torturar. Todos sabemos que a Democracia Espanhola  que nunca teve grande saúde está à imagem da democracia em Portugal doente e em risco de ficar em coma ou por outras palavras "suspensa" (como sugeriu aqui há uns anos a Manuela Ferreira Leite).
Para se evitar que a democracia que todos os dias se encaminha para uma morte anunciada é necessário que, à imagem de outros povos pelo mundo como os Egípcios ou até à semelhança de revoltas passadas inclusive em Portugal como a Revolta da Maria da Fonte ou o próprio 25 de Abril.Já basta de sermos roubados para comprar luxos que não servem o povo, chega de ser roubados para financiar bancos privados, chega de deixar morrer pessoas sem cuidados de saúde, chega de condenar jovens a uma vida de precariedade e a não terem oportunidade de estudar. Dia 30 vem dizer BASTA! Basta de roubos!! Basta de Corrupção!! Basta de austeridade!!

terça-feira, 19 de junho de 2012

Portugal à beira de um ataque de nervos


O povo português está à beira de um ataque de nervos. A famosa paciência lusitana está a esgotar-se a passos largos. Cortes nos subsídios, cortes no orçamento para a saúde com redução de serviços e encerramento da MAC mas com aumento das taxas moderadoras, a Educação vai igualmente a caminho da elitização que conduz à privatização, milhares de alunos que deixam de o ser por falta de meios económicos mas que também não conseguem ingressar no mercado de trabalho.
Os desempregados sentem-se criminalizados com a obrigação das apresentações quinzenais no Centro de Emprego, numa humilhante semelhança com os detidos com termo de identidade e residência.
São forçados também a frequentar acções de formação que não correspondem nem às suas escolhas nem às suas necessidades para o governo receber verbas europeias que ninguém vê aplicadas na solução do problema do desemprego e que provocam uma imensa revolta. Mais ainda se complica a situação quando o subsídio de desemprego acaba. Quem fala com estas pessoas ouve frequentemente expressões como "isto está uma panela de pressão" ou "isto está para explodir".
É de salientar que não são as manifestações/passeios de sábado pela Avenida da CGTP que dão vazão a toda esta pressão.
Os grupos sociais também não estão assim tão massivamente participados.
Então podemos apenas ficar alerta e olhar para o exemplo grego e, mais recentemente, para os mineiros espanhóis. Quanta paciência mais terão os portugueses para com os seus carrascos?
Os desempregados são um batalhão que cresce a olhos vistos em Portugal. Os números apontam para 1 280 000. Não pára de aumentar ao segundo. Os subsídios são cada vez mais escassos e mais curtos em duração. A fome aperta com a falta de meios de subsistência.
O descontentamento dos trabalhadores que se vêem usurpados nos seus direitos é geral e crescente.
Fica a dúvida se o elenco governamental estará consciente desta realidade. Se não estiver é grave, se estiver é mais grave ainda...
O Contra-Reaccionário, no seu papel, convida todos(as) a participar e levarem toda a sua força anímica para a manifestação de 30 de Junho. Juntem-se ao Contra-Reaccionário, ao MSE e ao 15O, entre outros que levarão a sua voz!

domingo, 17 de junho de 2012

Este Governo...

"Este Governo não cairá porque não é um edifício, sairá com Benzina porque é uma nódoa" (Eça de Queirós in "O Conde de Abranhos")

quinta-feira, 14 de junho de 2012

MAS apresenta-se aos eleitores


Depois da festa de fundação em Março, que reuniu cerca de 300 pessoas na Voz do Operário em Lisboa, o MAS – Movimento de Alternativa Socialista apresenta-se de forma directa aos cidadãos eleitores do país durante as campanhas semanais de recolha de assinaturas para a sua legalização como partido.
A recepção tem sido positiva, com muitas perguntas e respostas, conversas e auscultação da população e dos seus problemas. O jovem partido interessa-se por saber quais são as mais frequentes inquietações das pessoas, o que mais as perturba e o que mais desejam.
O desemprego é um flagelo, a desilusão imensa, a revolta latente e as injustiças gritantes. O que encontram pelas ruas é um país devastado, destruido, deprimido.
A paciência do povo está por um fio. As pessoas alimentam-se mal, trabalham horas demais, não procuram ajuda médica porque não têm dinheiro, os jovens deixam de estudar porque não conseguem pagar as propinas mas também não conseguem trabalhar. Os mais velhos não têm dinheiro para os medicamentos.
Os desempregados estão revoltados por serem tratados como criminosos e suas apresentações quinzenais.
A realidade que se apresenta é austera. Literalmente.
O MAS está atento e recolhe ideias tanto quanto assinaturas.
O Contra-Reaccionário deseja boa sorte ao MAS, e o Contra sabe de fonte oficial que o MAS está solidário com a Manifestação do MSE pelo Direito ao Trabalho a 30 dee Junho.
Junta-te a todos nós!

quarta-feira, 13 de junho de 2012

A Inevitabilidade das Revoluções



«As revoluções não são factos que se aplaudam ou que se condenem. Havia nisso o mesmo absurdo que em aplaudir ou condenar as evoluções do Sol. São factos fatais. Têm de vir. De cada vez que vêm é sinal de que o homem vai alcançar mais uma liberdade, mais um direito, mais uma felicidade. Decerto que os horrores da revolução são medonhos, decerto que tudo o que é vital nas sociedades, a família, o trabalho, a educação, sofrem dolorosamente com a passagem dessa trovoada humana. Mas as misérias que se sofrem com as opressões, com os maus regímens, com as tiranias, são maiores ainda. As mulheres assassinadas no estado de prenhez e esmagadas com pedras, quando foi da revolução de 93, é uma coisa horrível; mas as mulheres, as crianças, os velhos morrendo de frio e de fome, aos milhares nas ruas, nos Invernos de 80 a 86, por culpa do Estado, e dos tributos e das finanças perdidas, e da fome e da morte da agricultura, é pior ainda.

As desgraças das revoluções são dolorosas fatalidades, as desgraças dos maus governos são dolorosas infâmias.»

Eça de Queirós, in 'Distrito de Évora'

segunda-feira, 11 de junho de 2012

PIIGS – A queda da Espanha


Rajoy negou mas não adiantou. Espanha acaba de pedir um empréstimo para a banca. Depois de Portugal, da Irlanda, da Grécia, cai a Espanha nas garras da Troika. O eixo franco-alemão leva a cabo a destruição planeada dos PIGS do sul da Europa, os sempre mui controversos países da periferia mal-vistos e apontados a dedo – latinos e gregos. Embora haja alguma tentativa de afirmar o contrário, o próprio acrónimo expressa uma ideia sobre a opinião que os países desenvolvidos do centro e norte da Europa têm dos do sul.
Serão preconceitos e ideias feitas, mas a estratégia passa claramente pela subordinação destas economias mais frágeis aos desígnios dos “poderosos grandes”.
Ainda assim, ressalva feita e a mais sincera homenagem à coragem demonstrada pelos mineiros do nosso país vizinho, que por toda a Espanha mostram a sua raça e o seu salero. Que sejam o bravo exemplo a seguir.
As eleições gregas poderão trazer também uma nova face a este ataque consertado aos trabalhadores destes países com a esperançosa vitória do Syriza. Toda a solidariedade do Contra-Reaccionário para com todos(as) os(as) que sofrem os efeitos da austeridade que mata e destrói todos os dias!

sexta-feira, 8 de junho de 2012

Lisboa a Metro


A redução do Metro para três carruagens em permanência na linha verde, e aos fins de semana ou a partir das 21:30 nas restantes linhas está a funcionar como um autêntico atentado aos utentes deste meio de transporte.
As pessoas sentem-se perfeitamente insultadas ao verem que são transportadas como gado para o matadouro, viajando qual sardinha em lata. É um desrespeito pelos cidadãos.
Igualmente os turistas murmuram queixas ora porque viajam em péssimas condições ora porque se vêem obrigados a correr desesperadamente até ao lado oposto da estação para apanhar o Metro e esperando que este não feche portas antes de lá chegarem.
Num país onde as fontes de receita já se encontram largamente depauperadas seria fundamental o governo ter em atenção a forma como trata os turistas. E, como é óbvio, mostrar um mínimo de respeito pelas pessoas que pagam o seu bilhete/passe tant para ir trabalhar como para qualquer deslocação e a quem, a troco de um bilhete pago a preço régio, se oferecem condições indignas.
Aumento de preço e redução de serviço é uma afronta a quem anda em Lisbia num Metro despromovido a centímetro.
Revoltado(a) com este estado de coisas?
Não fiques em casa! Dia 30 de Junho enfrenta o Metro e o autocarro e junta-te ao MSE, ao 15O e ao Contra-Reaccionário contra o estado a que isto chegou!
Traz a tua voz!

terça-feira, 5 de junho de 2012

O livro do desassossego...


deve estar na mesa de cabeceira de todo o elenco ministerial, muito em especial de Miguel Macedo e Miguel Relvas. Passa para Passos Coelho pelos cordelinhos. É que a julgar pelos acontecimentos de quinta-feira, dia 31 de Maio, frente à Igreja dos Anjos, em Lisboa, o desespero do executivo em dar mostras de força e despoletar manobras de intimidação estão em crescendo.
Quem presenciou o cerco junto à Igreja não pôde deixar de ficar atónito com a desproporção de ver 30 jovens sentados no chão, tocando música cercados por cerca de 80 elementos da polícia de intervenção. Várias pessoas naturalmente curiosas perante todo o aparato e indignadas ao verificar a agressividade na atitude dos agentes permaneceram olhando. Muitas delas acabaram empurradas para dentro do cerco pela polícia que continuava a chegar. Foi o exibir a técnica do “kettling”. Eram 8 carrinhas e 3 carros-patrulha.
O blog 5dias.net deu a notícia, apresentou fotos, vídeo, relatos. O site foi hackeado. Ficou indisponível várias horas. Ficou censurado. Uma página de facebook pessoal ficou suspensa.
O governo está a recorrer a formas indignas de uma democracia para calar as vozes discordantes.
Relvas é alvo de críticas dentro do próprio partido. Mas não se demite nem é demitido. A questão será o que se refere à boca pequena um pouco por toda a parte – Relvas é o verdadeiro primeiro-ministro e Passos Coelho o porta-voz. Logo, é mais complexo retirar o pilar do governo. Ainda assim, poderá o governo pretender continuar nesta condição e almejar a um mandato por inteiro?
Curiosamente, Paulo Portas parece nem pertencer ao governo. Há muito, dir-se-ia mesmo desde que tomaram posse, que Passos e Portas não são vistos lado a lado. Portas regressou às visitas pelas feiras. É caso para questionar se estará a treinar para uma nova campanha eleitoral.
Mesmo o Bloco de Esquerda, que enquanto oposição pouco se opõe, várias vezes falou em eleições antecipadas.
De momento, está a Europa de respiração suspensa aguardando as eleições gregas. As últimas sondagens dão o Syriza como vencedor e ficam em causa as políticas ultra-liberais e a austeridade imposta pelo eixo franco-alemão. Os governos temem o efeito contágio.
O Contra-Reaccionário apoia o Syriza, desejando boa sorte e deixa um pensamento: E em Portugal, quais serão os efeitos da mudança na Grécia?

domingo, 27 de maio de 2012

Miguel Macedo, Miguel Relvas, Passos , Público, Desemprego, BPN, SNS, MAC: O estado a que isto chegou...


Após a ocorrência da carga policial de 22 de Março sobre os manifestantes em dia de greve geral, em que se questionou a permanência de Miguel Macedo no cargo, Miguel Relvas está envolvido num escandaloso caso de alegada pressão sobre uma jornalista do Jornal Público, a quem terá ameaçado por não lhe terem agradado as notícias publicadas sobre o chamado caso das “secretas”.
Dias antes, Passos Coelho é fortemente vaiado na Feira do Livro, iniciativa de activistas da Plataforma 15 de Outubro, e que depressa ganhou apoio junto de múltiplas pessoas que se encontravam no local. Como sempre o Primeiro-Ministro primou pela arrogância e pela cobardia.
Durante uma semana, toda a família laranja esteve sob fogo, após a publicação de várias edições do DN dedicadas ao escândalo BPN. A investigação envolve um grande número de personalidades do partido governamental bem como o próprio Presidente da República, Cavaco Silva, e membros da sua família. Estima-se que o BPN absorva 8 mil milhões de euros do dinheiro dos contribuintes.
De referir que, no mesmo período, temos a MAC em luta contra o encerramento desta unidade fundamental, configurando o primeiro golpe profundo no desmantelamento do SNS após o aumento imoral das taxas moderadoras.
Vítor Gaspar na pasta das Finanças afirma continuamente que “não previu” a subida do desemprego assim como “não previu” a queda brutal das receitas do Estado. E faz declarações contraditórias dentro e fora das fronteiras para agradar a diferentes públicos...
Uma activista do MSE é citada por promover manifestação ilegal porque segundo fonte da PSP, 2 pessoas já são uma manifestação. Para além da questão da incongruência matemática dado que se encontravam cerca de 8 activistas presentes, num total de 4 manifestações em teoria, existe uma questão de fundo em que se põe em causa a própria liberdade dos cidadãos, subvertendo artigos da Constituição de forma explícita.
Se somarmos todos estes factos à implementação de medidas que não só não foram sufragadas pelo povo como atentam violentamente contra a lei fundamental do país, questiona-se com total pertinência a legitimidade do governo, das medidas e do estado da Democracia e da Liberdade em Portugal.
Terá um governo, seja ele qual for, após qualquer resultado eleitoral, poder para suspender a Democracia e a Liberdade do povo que se quer soberano, subjugando-o aos interesses de uma elite financeira, que se atreve a pretender fazer lei a seu bel-prazer e retirar direitos consagrados para satisfazer a ganância dos senhores do costume e da Troika?

Diz não ao Desemprego e a ao estado a que isto chegou dia 30 de Junho numa manifestação do MSE, apoiada pela Plataforma 15 de Outubro e pelo Contra-Reaccionário! As ruas são nossas!

quarta-feira, 23 de maio de 2012

Sai de casa e vem prá rua!!


À imagem de 12 de Março de 2011, que serviu como último prego no caixão de mais um governo corrupto que viveu à conta de toda a população, e em que várias gerações viram que não eram rascas, mas sim que estavam “à rasca”, vivem-se hoje tempos em que continuamos cada vez mais “à rasca”. Quando nos pedem para emigrar dizendo que se não o fizermos não somos empreendedores (seja isso o que for) é uma atitude deplorável e criminosa.

Até quando vamos permitir que diariamente nos insultem? Até quando vamos permitir que violem os nossos direitos?

O direito ao emprego está consagrado na constituição da Republica Portuguesa, constituição essa que todos os governos juraram cumprir e todos os presidentes juraram defender. Mas quando essa juras são em falso cabe-nos a nós fazer cumprir. Porque não aceitamos que morram pessoas por falta de cuidados de saúde enquanto outras compram carros novos no governo! Porque não aceitamos o abandono escolar e a promoção de uma população socialmente iletrada quando são gastos 8 mil milhões num banco privado! Porque a única forma de sair da crise e da pobreza a que nos votam todos os dias é termos emprego!

Dia 30 de Junho na manifestação pelo emprego diz presente na luta por um futuro melhor!!


http://www.facebook.com/events/278059855623119/

quinta-feira, 26 de abril de 2012

(des)governo PPC-PP


A dívida representava 68% do PIB, agora representa 110%; ninguém sabe para onde foram 8 mil milhões relativos ao BPN, os submarinos, pelo que se sabe, um quase afundou antes de chegar e as contrapartidas nem chegaram a zarpar; o desemprego está em níveis nunca vistos, a Madeira tem um buraco a cada dia mais fundo e Jardim está impune...; a Maternidade Alfredo da Costa é o sinal claro do desmantelamento do SNS, toda a gente foi absolvida no caso Portucale num favorecimento descarado a amigos do actual governo e foi aberta uma autêntica "caça às bruxas" aos membros do anterior governo, sem contemplar os membros dos outros governo (PSD), que tomaram medidas absolutamente ruinosas como a venda da Neves Corvo...; Rui Rio dá-se ares de PIDE e ataca a Fontinha pela calada depois da vergonha de Miguel Macedo e sus muchachos na actuação escandalosa da polícia na manif de 22 de Março no Chiado... Nesse dia a melhor tradição de repressão veio aos de cima. Os activistas 1962 posicionaram-se ao lado dos manifestantes na sua indignação por uma carga policial injustificada, desajustada e arbitrária. E agora mais esta das dívidas do estado a aumentar às mãos de um governo que fala constantemente em controlar as contas... para além de termos um ministro das Finanças que não viu sequer um dado mínimo como o aumento óbvio do desemprego devido às empresas que fecham como consequência do estrangulamento económico. É difícil até para um leigo entender que se não há dinheiro as empresas fecham, logo as pessoas vão para o desemprego, logo não consomem e  precisam de apoios sociais?

São alguns (bons) tópicos de reflexão que o ContraReaccionário deixa aos leitores.

quinta-feira, 29 de março de 2012

A fábula d'O coelho e o cavaco

As actuais relações entre Passos e Cavaco são motivo de comentários de quem as descreve como "distantes". Do ponto de vista pessoal, sê-lo-ão, eventualmente. No entanto, existe uma história longa de cumplicidade entre ambos.
Nos anos 90, Passos era "líder estudantil", mas pouco, era o Presidente da Associação Académica ao tempo em que Cavaco era primeiro-ministro.
Com os estudantes anos seguidos em luta, nas ruas, contra as propinas, contra a política de cavaco, contra inúmeros ministros da educação, Passos entre em conversações com Cavaco para estabelecer um acordo indesejado por toda a classe que supostamente representava.
Por sorte, a luta falou mais forte e Cavaco foi obrigado a recuar.
Foram vários anos de greves de alunos, manifestações até São Bento e várias repressões violentas por parte da policia de intervenção.
Parece delinear-se um padrão de comportamento entre estas duas figuras. Ou seja, foram os dois governos mais repressores, sendo que ambos estiveram presentes nesses processos. Ambos tomaram medidas contestadas por todos servindo-se da maioria eleitoral. Ambos deixaram os Portugueses mais pobres.
Estará porventura na hora de não deixar Passos no governo tanto tempo quanto Cavaco!
Estará talvez na altura dos governos PSD perceberem que maioria no parlamento não significa poder absoluto, e que o dever do poder é servir o Povo e não servir-se do Povo a favor dos privilégios de uma minoria burguesa, terão de perceber que o papel de sheriff de Nottingham, para além de fora de moda, atenta contra a constituição, contra os direitos humanos e contra a mais elementar justiça social.
As mentiras de campanha já há muito que caíram por terra e a máscara caiu. A chantagem que têm vindo a fazer com o Povo Português e a inevitabilidade da austeridade está condenada a cair ante o Povo faminto.
Diz a célebre frase que o poder corrompe, e o poder absoluto corrompe absolutamente. Há que não esquecer que quando cai, também cai absolutamente.
Perante casos como o BPN e o "buraco da Madeira", onde a corrupção foi tão absoluta, o julgamento espera-se na mesma medida.
Fica o alerta do Contra - Reaccionário ao governo e ao Povo, que este acorde e reivindique os seus direitos!!

terça-feira, 27 de março de 2012

Eu Acuso

Acuso!

Não preencherei folhas com propostas para um primeiro ministro que com os seus lacaios desmantela o Estado Social, viola a constituição, agride cidadãos pacíficos. o Fascismo só tem ouvidos para os seus próprios hinos. A doença desta democracia vai longe demais para ser remediada por gestos inócuos como os que propõe o M12M. Não pendurarei lençóis brancos na minha janela quando as pedras da calçada portuguesa do Chiado já se encontram manchadas do sangue de cidadãos e jornalistas. Quanto muito, penduraria um lençol negro mas o luto não precisa de ser assinalado com cores quando qualquer pessoa pode ver no seu mural de facebook que a democracia já está a ser apunhalada com bastões. Que ela morre com cada idoso que expira em casa porque ir ao Hospital se tornou demasiado caro, que ela morre da fome que passam os que em cada vez maior número se encontram noite após noite ás portas da igreja de Arroios para obter o alimento que já não podem comprar, não por preguiça, mas sim porque o Passos Coelho admitiu que nos quer nos pobres.

Pergunto aos Homens da luta se a sua presença no 12 de Março não foi simples oportunismo mediático? Onde estão eles hoje que há ainda mais pessoas precárias, mais desempregados, mais esfomeados, mais mortos que há um ano atrás. Ou foi a sua colagem ao 12 de Março uma directriz do fundador do PSD apenas para substituir um mau primeiro-ministro por outro?

Pergunto ao Sr Arménio Carlos, quem são afinal os vândalos? Pessoas que reagem ao espancamento selvático numa rua secundária longe das câmaras de TV dum cidadão cujo crime era rebentar um petardo? Que são apanhadas num arrastão policial que leva tudo a sua frente, mesas, cadeiras, chávenas, turistas, transeuntes, jornalistas e o próprio direito constitucional de se manifestar? Não são os vândalos também aqueles que destroem neste exacto momento o vale do Tua. os que deixam os edifícios históricos de Lisboa e tantas outras cidades portuguesas apodrecer e arder em jogos de especulação imobiliária enquanto há quem durma na rua e quem já não possa viver na sua casa duramente paga até ao presente porque desapareceram aqueles dois salários extras que lhes permitiria garantir com o seu suor o seu direito humano á habitação.

Acuso! Acuso não só os perpetradores de políticas iníquas. Políticos que colocam os salários no limiar da pobreza ou abaixo dele. Políticos que querem fazer da medicina, a mais nobre das profissões, nada mais do que um negócio. Políticos que tudo farão para docilizar a população e nada melhor do que reservar uma educação de qualidade para as elites e desorçamentar e desqualificar a educação pública, porque a escravatura começa pela mente. Políticos que põem os cidadãos ao serviço do sistema financeiro e não o sistema financeiro ao serviço dos cidadãos. Não, o défice não é nossa culpa! É deles, de políticos, de banqueiros, de especuladores, de jogadores de casino. Só que neste casino, as fichas de jogo somos nós, que de alta finança e permutas de incumprimento de créditos pouco sabemos mas percebemos bem que nos estão a fazer pagar por erros que não são nossos. Nós trabalhamos, recebemos, compramos o que precisamos e tentamos ser felizes. Não aceitamos ser designados de cúmplices nos tráficos de influências, nas permutas de actos de corrupção que levaram o mundo a este ponto. Acuso todos os políticos que nada fazem para mudar este estado de coisas, para castigar os culpados, para moralizar o sistema financeiro!

Mas acuso também todos os que não saíram á rua ainda e todos os que já tendo saído antes, nesta hora mais negra ainda do que há um ano atrás têm medo de o voltar a fazer. Ou porque estão ao serviço de jogos de táctica partidária ou porque não acreditam na possibilidade de uma revolução ou porque acham que estão a salvo da penúria. Desenganem-se, pois como sempre, quando as democracias adoecem e os autoritarismos retiram as máscaras, ninguém está a salvo, excepto os que têm o poder...

O mal acontece quando os homens de bem nada fazem...
É a Hora!

segunda-feira, 26 de março de 2012

REPRESSÃO POLICIAL A 22 DE MARÇO DE 2012

Dizem pessoas mais velhas com quem tivemos oportunidade de trocar ideias que se lembram de ver algo assim… nos anos sessenta…
Em plena ditadura de Salazar, os estudantes eram brutalmente reprimidos.


Em pleno 2012, meio século depois desses tempos tenebrosos que se supunham ultrapassados e guardados no baú da memória de alguns e na História do país, eis que voltam a surgir, implacáveis, velhos traumas.
A manifestação saiu calma e tranquila, combativa nas palavras, da Praça do Rossio. Os companheiros de outros movimentos que haviam saído do Saldanha juntaram-se e todos foram bem recebidos. À medida que se iniciava a marcha foram surgindo de todos os lados filas intermináveis de agente da polícia de intervenção que cercaram os manifestantes por todos os lados, vigiando cada passo. Duas ruas acima, ao lado da histórica pastelaria Brasileira, perante a estátua ex-libris de Fernando Pessoa, e de acordo com várias testemunhas e vários testemunhos de imagem, capturaram um manifestante a quem agrediram. Os outros em volta quiseram socorrê-lo e desencadeou-se a maior carga policial de que há memória desde há muitos, muitos anos.
Dois jornalistas foram também agredidos, tendo tido necessidade de receber assistência hospitalar. Um jornalista da Agência Lusa e uma fotojornalista da Agência France Press. Por mais que bradassem que eram profissionais, nada lhes valeu. Bateram em manifestantes, transeuntes, jovens e idosos, pessoas que tomavam café na esplanada, que varreram ao pontapé e à bastonada, pessoas que estavam a sair da Missa. Havia sangue no chão e muitos gritos.
Perante este cenário, impõe-se o alerta, já feito por figuras como Marinho Pinto – a democracia está a perigar. O governo está com tendências perigosas de recorrer aos meios tradicionalmente usados por ditaduras para lidar com a contestação do povo na rua, atentando clara e inequivocamente contra os direitos fundamentais dos cidadãos garantidos na Constituição da República Portuguesa.
Parece que o actual governo de arvora ao direito de tentar calar quem se opõe e expressa claramente as suas opiniões, seja silenciando a comunicação social, seja intimidando por intermédio de forças policiais dispersando manifestações pacíficas à força de bastonada. Urge declarar ao governo de que não serão tolerados comportamentos tais. É necessário mostrar ao governo sem margem para dúvidas que uma maioria parlamentar não é equivalente a poder absoluto. É preciso que o governo perceba que o povo não se calará!






Obrigada Plataforma 15 de Outubro pela iniciativa e pela determinação.

O Contra-Reaccionário declara a sua total solidariedade para com os manifestantes e jornalistas agredidos e saudamos a sua coragem e determinação e faz um apelo claro à coragem de todos para que esses velhos tempos de repressão e ditadura não regressem nunca mais ao país!