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domingo, 1 de setembro de 2013

Piropos: o menos grave dos sintomas

É simples: Piropos lançados a uma mulher desconhecida ou com a qual não se tenha o tipo de confiança para entrar nesse género de "flirt" deixando-a desconfortável ou mesmo sentindo-se ameaçada é de facto uma pulhice. Mas se alguém acha que pode resolver o problema, criminalizando o acto, está muito enganado. O piropo é um sintoma, e porventura nem o mais grave, de uma doença muito maior, a mesma doença que faz com que o salário médio dos homens seja maior que o das mulheres, a mesma doença que leva mulheres a terem que dizer que não pretendem ficar grávidas ou a responderem se têm filhos (pergunta que obviamente não será feita ao marido), a mesma doença que leva centros de saúde a não terem stock de pílulas contraceptivas, a mesma doença que faz com que o juiz absolva um réu porque "a violação não foi muito violenta" ou porque a vítima de 14 anos já tinha sido sexualmente activa.É a mesma doença que leva a existência de noivas crianças no subcontinente indiano e em África, a existência da Burqa, da mutilação genital feminina (até na Europa), do tráfico sexual de mulheres.

E esses problemas só podem ser solucionados através da educação e do fim da exploração dos homens e das mulheres pelos homens.Quem não abordar a opressão das mulheres de uma forma integral mas limitando-se apenas a criminalizar o menos grave dos seus exemplos ou é ingénuo ou anda a brincar ao politicamente correcto, á política fútil, aos soundbytes sem ter a coragem de atacar a raiz do problema.E no que me diz respeito, esse problema só desaparecerá quando o modelo civilizacional em que vivemos desaparecer. E isso faz-se através de um sistema educativo que incuta os valores da igualdade (entre homem e mulher,raças e etnias,credos, orientações sexuais) da luta sindical e da construção de uma revolução que acabe com o capitalismo que tanto fomenta as desigualdades para facilitar a exploração.

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