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segunda-feira, 25 de novembro de 2013

The King is dead, the King will live again.

Há quem venha afirmar que a redução catastrófica do número de espectadores nas salas de cinema era algo inevitável, o resultado da pirataria cibernética. Eu pergunto me se o facto dessa redução se ter dado nos últimos 4 anos é uma coincidência. Claro que não. A experiência comunal de uma sessão de cinema não pode ser substituída pelo ecrã de um computador ou de uma televisão. Ninguém no seu perfeito juízo argumentaria que ver uma peça de teatro na televisão é igual a vê-lo ao vivo. Porque haveria de ser diferente com os imensos ecrãs prateados pintados por lanternas mágicas? A diminuição do poder de compra, a especulação imobiliária, a brutalidade do aumento dos impostos sobre imóveis são a prosaica razão da destruição dos "Cinemas Paradisos" deste país.O Monumental teria sido perfeitamente rentável com uma terceira sala, alteração projectada pelo seu arquitecto, Raúl Rodrigues Lima, nas vésperas da sua demolição em 1983. Resta-nos assim, dos cinemas Paradiso lisboetas apenas O Nimas também explorado pela Medeia Filmes. Desde que cheguei a Lisboa, ja vi fechar os castiço Quarteto e Ávila.Demolido foi o Europa em Campo de Ourique e esse será também já o destino do Odeon, um dos mais belos edifícios de Lisboa e um exemplo raro de pura arquitectura Art Déco em Portugal. Outra jóia Art Déco é o Paris, na Estrela, que vai lentamente apodrecendo.O Condes, que hoje abriga um franchising de restauração, foi a última edificação num local onde existira continuamente desde o Século XVIII uma sala de espectáculos, primeiro de teatro e mais tarde também de cinema. O Cine Royal na Graça, primeiro cinema sonoro da cidade é hoje um supermercado e um dos mais antigos, de todos,datando de 1907 o Animatógrafo do Rossio foi transformado numa sex shop. Todas as cidades sofrem em maior ou menor medida da selvajaria filistina da especulação imobiliária.A ideia de que só em Portugal se cometem estas atrocidades é um disparate mas o cenário em Lisboa é particularmente dantesco. A excepção do São Jorge,do Nimas e do Cinearte, tudo o que existiu de salas de cinema foi demolido parcial ou integralmente,abandonado á ruína ou desfigurado para dar lugar a uma nova utilização. Os velhos templos foram profanados pela ganância, pela corrupção e pela ignorância e o King, com a sua programação ecléctica, cosmopolita é literalmente uma das últimas vítimas.Pouco mais resta para salvar. Mas sabemos quem são os culpados e quero acreditar que um dia haverá justiça, que um dia haverá pão, saúde, educação e cultura para todos. Que novos Kings se erguerão em cada bairro.A Cultura não é um luxo, é uma necessidade, um direito. Havemos de o conquistar.

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