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sábado, 28 de janeiro de 2012

A Plataforma 15 de Outubro e o Movimento Estudantil

Foi há precisamente uma semana que se realizou, entre o Marquês de Pombal e São Bento, a marcha da indignação, convocada pela Plataforma 15 de Outubro. Embora a afluência não tenha sido a mais desejada, as quatro mil pessoas que compuseram a manifestação fizeram dela uma acção verdadeiramente dinâmica e combativa, fruto de uma revolta impossível de recalcar ou silenciar. Vivemos tempos conturbados, tempos que representam um retrocesso histórico sem precedentes em Portugal, marcados por incessantes ataques aos direitos e conquistas da classe trabalhadora. É, definitivamente, um pacto de agressão que nos é imposto, com a justificação de que só assim reequilibraremos as contas e pagaremos a dívida pública, mas que não passa, afinal, de uma chantagem. Uma chantagem imposta aos povos para garantir os lucros de agiotas e grandes empresários, de especuladores financeiros que vilipendiam aqueles que menos têm, obrigando a população a acatar violentíssimas medidas de austeridade que lhe destroem a vida e os sonhos, que a empurram para a pobreza e miséria. Sugam-nos até ao tutano, enquanto banqueiros e grandes capitalistas sonegam e fogem às obrigações fiscais, transferindo o seu capital para países com regimes fiscais mais suaves. A (des)ajuda externa é o espelho desta injustiça e palco do roubo desenfreado. Para pagar o empréstimo ao FMI tiram-nos salários, sobem o preço da electricidade, da água, dos transportes, das rendas, dos hospitais, das escolas. Para pagar uma dívida espúria, dizem-nos que vivemos acima das nossas possibilidades. Tremenda mentira. A plataforma 15 de Outubro surgiu como um movimento que se propunha a lutar contra estes incontáveis ataques, que pretendia combater o saque e a perversidade do sistema capitalista. Emergindo por fora dos aparelhos sindicais tradicionais, (que, ao invés de acirrarem os enfrentamentos, vislumbram a luta como um mero ritual de sábado à tarde) a plataforma propunha-se a batalhar por uma alternativa. A manifestação de 15 de Outubro foi disso exemplo: com uma assembleia popular de mais de 30 mil pessoas, serviu para provar que o povo está disposto a sair à rua e lutar para parar a exploração, e que muitas vezes são as direcções sindicais, burocratizadas, quem atrasa a vontade dos trabalhadores. Foi esta mesma pressão popular que obrigou a CGTP e a UGT a convocar uma greve geral para dia 24 de Novembro , e foi graças à plataforma que se realizou uma manifestação nesse mesmo dia, com cerca de 7000 pessoas, progredindo mais um passo na luta contra a austeridade. No entanto, e com o apoio popular que a plataforma tem tido, é ainda notória a pouca afluência de estudantes ao movimento. Não significa isto que estão livres de cortes nos seus direitos: a nível do ensino superior, as propinas continuam a aumentar e as bolsas a regredir, sendo quase necessário apresentar um atestado de miséria para garantir esta ajuda. Só no primeiro semestre deste ano lectivo, já mais de 6000 alunos desistiram do Ensino Superior por falta de condições financeiras. Urgem também os casos de alunos com fome, que têm de optar entre comer ou estudar. O orçamento de Estado para o Ensino Superior reduz-se drasticamente, votando as faculdades a uma evidente deterioração física. O desconto no passe escolar é igualmente retirado, impedindo os estudantes de beneficiarem de uma deslocação mais barata. Então por que razão os estudantes continuam sem engrossar a plataforma? Será que estão demasiado apáticos para se preocuparem com as lutas? Não creio. Aquilo que os desmobiliza são as próprias direcções estudantis, que preferem canalizar o descontentamento para acções pontuais, alimentando a estratégia da divisão de lutas. “Se somos estudantes, não nos podemos juntar a um protesto de trabalhadores e desempregados!”, apregoam as direcções. Senão vejamos: a 29 de Novembro, quatro dias após a Greve Geral, realizou-se uma manifestação de estudantes que desembocou em São Bento, e a 25 de Janeiro, quatro dias após a Marcha da Indignação, convocou-se um protesto de estudantes que juntou cerca de 50 pessoas, e que consistiu em andar de metro entre a Cidade Universitária e Entrecampos. Será esta a estratégia mais adequada? Eu digo que não. Afinal o objectivo é derrotar as medidas de austeridade e impedir que a exploração prossiga (situação que também afecta os estudantes) ou manter a divisão de lutas, com o pretexto de que o combate dos estudantes é diferente do dos trabalhadores? Só com unidade podemos derrotar a austeridade. Trabalhadores, desempregados, jovens, estudantes. Todos juntos, temos mais força. É por isso que convido tod@s os estudantes a engrossarem a plataforma 15 de Outubro, composta por trabalhadores, desempregados e jovens, no combate pelo recuo dos ataques impiedosos de que estamos a ser alvo. Amanhã, 15H, na casa do Brasil (Rua Luz Soriano), realiza-se um plenário do 15 de Outubro, para discutir a continuidade plataforma. Apareçam. Porque nós, estudantes, também somos afectados por esta bola de neve. E de que maneira!

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